Credo para o novo ano

1. Como eu creio que o Evangelho de Jesus Cristo “é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Romanos 1.16), vou pregar e viver o evangelho, sabendo que é minha intransferível tarefa ir por todo o mundo para fazer discípulos (Mateus 29.19-20).

2. Como eu creio que “é feliz aquele que não segue o conselho dos ímpios, não imita a conduta dos pecadores, nem se assenta na roda dos zombadores!” (Salmo 1.1), procurarei seguir sempre o conselho de Deus, imitarei a Jesus Cristo e adorarei a Deus junto com os que creem como eu creio. Como Deus espera que eu seja santo (Levítico 11.44-45, Levítico 20.7, 1Pedro 1.15-16), farei da santidade a minha prioridade.

3. Como eu creio que a Bíblia é “é lâmpada que ilumina os meus passos e luz que clareia o meu caminho (Salmo 119.105), vou lê-la toda e sempre, para ser capacitado a viver de modo sábio, santo e saudável.

4. Como eu creio que “a oração de um justo é poderosa e eficaz” (Tiago 5.16), vou orar “continuamente” (1Tessalonicenses 5.17).

5. Como eu creio que “o plano eterno de Deus” é tornar conhecida a sua “multiforme sabedoria”, “mediante a igreja”, vou encorajar e ser encorajado nela (Efésios 3.10), embora seja “o costume de alguns” deixá-la (Hebreus 10.25).

6. Como eu creio que sou um vaso de barro que contém o tesouro do Evangelho de Jesus, poderei ser pressionado, mas não desanimarei; poderei ficar perplexo, mas não me desesperarei; poderei ser perseguido mas não abandonado; poderei ficar abatido, mas não destruído, tudo por causa do poder que “provém de Deus” (“não de nós”) “e a tudo excede” (2Coríntios 4.7-9). Confiarei que “o Senhor Deus é o meu pastor e nada me faltará” (Salmo 23.1), quando tudo estiver bem, gargalhando na montanha, e também quando estiver passando “por um vale de trevas e morte” (Salmo 23.4).

7. Como eu creio que “o temor do Senhor é o princípio da sabedoria” e que o conhecimento de Deus é entendimento” (Provérbios 9.10), abrirei mão de ser sábio aos meus próprios olhos (Provérbios 3.7).

8. Como eu creio que o meu corpo é “santuário do Espírito Santo” que habita em mim (1Coríntios 6.19), cuidarei do meu corpo, sendo disciplinado nos horários, comendo corretamente e, se possível, fazendo exercícios regulares, para glorificar a Deus (1Coríntios 6.20).

9. Como eu creio que a família é uma dádiva de Deus (Gênesis 2.24 e Marcos 10.8) e um meio de graça para a minha vida, amarei a minha família E dela cuidarei.

10. Como eu creio que “o amigo ama em todos os momentos; é um irmão na adversidade” (Provérbios 17.17), celebrarei a amizade e encontrarei tempo para estar com eles.

11. Como eu creio que Jesus Cristo voltará em breve, continuarei cantando: “Vem, Senhor! (Maranata!)” (1Coríntios 16.22).

12. Como eu creio que Jesus é o bom pastor (João 10.11 e 14), eu me deixarei pastorear por ele, para ser guiado pelo Espírito Santo como filho de Deus que sou (Romanos 8.14) e membro da sua família (Efésios 2.19).

Israel Belo de Azevedo

O VALIOSO TEMPO DOS MADUROS Mário de Andrade

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora. Tenho muito mais passado do que futuro.

Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo
que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para conversas intermináveis,
para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.

Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral. As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos.

Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa.

Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, quero caminhar perto de coisas e pessoas de verdade. O essencial faz a vida valer a pena. E para mim, basta o essencial!

Sobre a França e os Muçulmanos

 “Um homem como eu fugiria?”
Ne 6:11
(Antonio Cabrera)

No restaurante onde eu almoçava na última quarta (18/11) a televisão  estava ligada e um repórter, ao vivo, ao lado de uma construção majestosa que me parecia conhecida transmitia o resultado da caçada da polícia francesa aos terroristas do ultimo atentado em Paris: foram sete horas de combate, mais de cinco mil tiros disparados, sete pessoas presas e dois terroristas mortos, dentre eles uma mulher que se explodiu. E terminou dizendo o seu nome, exclamando:

“…, direto de Saint-Denis.”
Saint-Denis?

Nos dois dias seguintes vi e li um sem número de matérias sobre a tragédia, com todo o tipo de personalidade ou especialista descrevendo ou tentando explicar ou justificar o injustificável.   Mas fiquei surpreso que não li uma linha sequer sobre este local:

Saint-Denis.

Relembro.
A irônica lição da história é que nesta Catedral de Saint-Denis está enterrado Carlos Martel, que em 732 liderou uma das mais épicas e brilhantes batalhas da história, a Batalha de Poitiers impedindo que os muçulmanos tomassem o coração da Europa cristã.
Como espanhol que sou, talvez eu tenha mais facilidade em lembrar este episódio.  Os muçulmanos já tinham tomado a Espanha, invadindo toda a Península Ibérica com uma velocidade fulgurante, promovendo um imenso botim, escravizando as populações (infiéis) das regiões conquistadas com uma notável crueldade e estavam batendo às portas da França.

Reforçando, Carlos Martel não é apenas o inicio da linhagem de conhecidos reis (seu neto foi Carlos Magno) mas ele será sempre lembrado como o homem que promoveu a ação que salvou a Europa do expansionismo muçulmano, e a sua vitória é considerada decisiva para a história mundial na medida em que preservou a Europa ocidental da islamização.
Enquanto o mundo assistia perplexo o avanço implacável dos mouros, impondo o julgo do Islã nos territórios abarcados, eis que se acendeu uma nova estrela no firmamento da Cristandade.

Carlos Martel não foi apenas o líder do exército cristão que prevaleceu em Tours.  Carlos Martel foi um verdadeiro gigante do início da Idade Média, um general brilhante em uma época privada desse tipo de talento e considerado o pai da cavalaria pesada ocidental.
Melhor é recorrer ao historiador  Edward Gibbon:

“A Cristandade continuou pelo gênio e boa sorte de um homem: Carlos Martel”.
Sorte?

De Tolouse, Martel observava que os muçulmanos estavam tomando  grande parte da Europa e, convencido de que chegariam logo à França,  começou a se preparar para as batalhas futuras.  Ele acreditava na necessidade de um exército em tempo integral, treinando-o com um corpo de veteranos para habilitar os recrutas comuns para os  tempos de guerra que se aproximavam. Durante a Baixa Idade Média, as tropas estavam disponíveis apenas após as cementeiras terem sido plantadas e antes da época de colheita.
Para treinar o tipo de infantaria que se poderia opor à cavalaria pesada muçulmana, Carlos precisava delas o ano todo, o que exigia pagá-las para que suas famílias pudessem manter-se. Para obter este dinheiro, em uma atitude ousada, ele tomou propriedades e terras da Igreja, e usou os fundos para pagar aos soldados.
Leve em conta que naquela época, antes da Reforma Protestante, havia apenas uma igreja, que enfurecida, estava pavimentando a excomunhão de Carlos Martel.
Mas então se iniciam as invasões muçulmanas com exércitos extremamente bem equipados e como se fossem um imenso enxame, seus cavalos começaram a pisar em solo francês.

Em sua visão de general e brilhante estrategista, Martel procurou entender o que seria necessário para  se opor a uma grande força e a uma tecnologia superior (os cavaleiros muçulmanos possuíam estribos em suas montarias, algo desconhecido para os europeus).
Assim, ele treinou a nata de seus homens um ano inteiro e estudou as forças inimigas, para em seguida se adaptar a elas, inicialmente usando estribos e selas recuperadas dos cavalos mortos dos inimigos, e armaduras dos cavaleiros mortos.
Sim, os europeus ainda não tinham conhecimento das armaduras dos cavaleiros muçulmanos.
Portanto, Carlos Martel não titubeou em enviar seus poucos cavaleiros contra a cavalaria islâmica, pois tinha treinado o seu exército para atacar numa formação usada pelos antigos gregos para resistir a um número superior de armas pela disciplina, coragem e a aceitação de morrer por sua causa: a defesa do cristianismo.

Foi destas táticas que nasceu a falange da cavalaria medieval, uma tática que originou as vitórias esplendorosas de Carlos Martel.  Foi esta incorporação da cavalaria pesada blindada nos exércitos ocidentais que criou os primeiros “cavaleiros” do Ocidente.

Além do mais, a sua habilidade e experiência em coordenar infantaria e cavalaria era inigualável para aquelas épocas e lhe permitiu enfrentar invasores em maior número, e derrotá-los de maneira absoluta e repetidamente.  Foi um comandante tático por excelência, capaz de no calor da batalha adaptar seus planos às forças e aos movimentos dos inimigos – e, espantosamente, derrotá-los de maneira surpreendente, mesmo quando eles eram muito superiores em número de homens e armas.
Carlos possuía a mais elevada qualidade com a qual se define a grandiosidade genuína em um comandante militar: ele antevia os perigos que seus inimigos poderiam causar, e se preparava para eles com cuidado; ele usava o solo, a hora, o lugar e a lealdade de suas tropas para contrabalançar a superioridade de seus inimigos em armas e táticas; e, finalmente, ele se adaptava, repetidamente, ao inimigo no campo de batalha, mudando rapidamente para compensar o inesperado e o imprevisível.
Dada a complexidade dos dias atuais, cuja desordem exige planejamento, técnica e estratégia para enfrentar novamente este terror, onde está o nosso Carlos Martel?

Voltando aos estudiosos da História, Thomas Arnold classifica a vitória de Carlos Martel no seu impacto sobre toda a história moderna:

“A vitória de Carlos Martel em Tours foi um daqueles sinais de libertação que influenciaram por séculos a alegria da humanidade”.

Historiadores alemães são especialmente ardentes em seus elogios a Martel e nas suas crenças de que ele salvou a Europa e a cristandade da conquista total do Islã.
Já Schlegel fala sobre suas “poderosas vitórias” em termos de calorosa gratidão, e conta como “o braço de Carlos Martel salvou e livrou as nações cristãs do Ocidente da captura fatal da destruição completa pelo Islão.”

Ranks aponta sua época “como uma das mais importantes épocas na história da humanidade, o início do oitavo século, quando em um dos lados o Islamismo ameaçava conquistar a Itália e a Gália, e do outro a antiga idolatria da Saxônia e da Frísia mais uma vez forçava uma passagem através do Reno. As instituições cristãs em perigo, um jovem príncipe da raça germânica, ‘Karl Martell’, surgiu entre os seus defensores, mantendo-os com toda a energia necessária para a autodefesa e finalmente estendendo-a a novas regiões.”

Nos Países Baixos Carlos Martel é considerado um herói.  Especialmente na Alemanha, ele é reverenciado como um herói de proporções épicas.
O já citado  Gibbon chama aqueles oito dias em 732, como “os eventos que salvaram nossos ancestrais da Grã-Bretanha, e nossos vizinhos da Gália, do jugo civil e religioso do Corão”.

Dante Alighieri escreve sobre ele no paraíso como um dos “Defensores da Fé”.

John H. Haaren afirma no seu livro Famous Men of the Middle Ages:

“A batalha de Tours, ou Poitiers, como deveria ser chamada, é considerada como uma das batalhas decisivas da história mundial. Ela decidiu que os cristãos, e não os muçulmanos, seriam o poder dominante na Europa. Carlos Martel é celebrado especialmente como o herói dessa batalha”.

Resumindo, Paul Akers,  diz para aqueles que abraçam o cristianismo, como você e eu:

“vocês talvez reservem um minuto hoje, e a cada outubro, para dizer um silencioso ‘obrigado’ para um bando de alemães semi-bárbaros e especialmente a seu líder, Carlos  Martel”.

No final de sua vida, para quem iria ser excomungado, Carlos Martel recebeu do Papa Gregório III o título de Herói da Cristandade.

Quem poderia imaginar que na terra de um herói desta envergadura se passaria uma episódio como este exibido na televisão?
Quem diria que na terra da reforma, nas paragens dos puritanos,  nos lares dos pietistas,  na brigada dos morávios, no berço das missões modernas a nossa geração iria assistir este continente se tornar pós-cristão, com inúmeras tentativas de remover todas as características da herança judaico-cristã da sua cultura?

Como muitas pessoas não sabem nada sobre Carlos Martel ou sobre a história do cristianismo, os valores cristãos são tratados de maneira desdenhosa na França nos dias de hoje.
Há um senso real em que o sangue destes heróis clama da terra para nós hoje, porque não estamos dispostos a fazer os mesmos sacrifícios que eles fizeram por nós, e, Deus certamente não honrará uma igreja constituída de omissos.
Billy Graham afirmou recentemente que “Como um todo, não sabemos o que é sacrifício. Nós não sabemos o que é sofrimento… Se começarmos a experimentar um pouco de perseguição religiosa, é provável que, sob pressão, muitos negariam a Cristo.”

Lembrei-me de um velho ditado cristão em que “Gente muda não muda a igreja.”
Não estou aqui pregando uma guerra contra os muçulmanos.
Não sou contra o islã, mas sei que sou a favor do cristianismo e que meu Mestre ensina que temos que testemunhar neste mundo.
Ao invés de terem medo das pessoas de outra religião, os europeus deveriam voltar-se para as raízes do seu continente, para o leito original do cristianismo.
Confiar no Senhor Jesus!  
Como estes antepassados confiaram.
Como Carlos Martel.
E aí poderão ficar tranquilos quando Deus perguntar:

“…Onde estás?”
Gn 3:9

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Reforma ou Revolução Protestante?

Após a queda do Império Romano, os povos que surgiam recebiam sua cultura geral e cristã da Igreja Romana que lhes transmitia a tradição que havia sido construída durante os séculos de maior produtividade. Como eram ainda incapazes de questioná-la, aceitavam-na, entendendo que ser cristão significava participar daquela tradição, mesmo que não a entendessem. A autoridade reconhecida por estes povos não era diretamente a da Bíblia, mas da igreja que a transmitia e na interpretação que dela fazia.

Com o passar do tempo os povos conquistados pelo cristianismo foram desenvolvendo-se  e sentindo a necessidade de refletir sobre a tradição recebida, a fim de assimilá-la mais conscientemente. Foi este o papel  que passaram a desenvolver a ciência das Escolas, da Escolástica, sobretudo na França e na Inglaterra[1]. Isto teve uma importância fundamental para a Reforma no que diz respeito ao estudo mais aprofundado das escrituras.  Henry Strohl, sobre isto declara o seguinte:

Pelo fim da Idade Média, quando se patenteava a decadência da Instituição Eclesiástica, (…) as necessidades espirituais, de um lado, e o desejo de retomar contato com as fontes, de outro, determinaram certa disposição de consultar diretamente a Bíblia.(…) Os frades de vida comunitária – originários dos Países-Baixos e de onde se espalharam – preocupavam-se em distribuir cópias das Bíblia[2].

Provavelmente foi através destes frades, em Magdeburgo, que Lutero viu a primeira Bíblia. O mesmo Lutero que anos mais tarde iria entrar para a história do cristianismo com o princípio da “Sola Scriptura”.

O princípio da Sola Scriptura

Em síntese, neste princípio ele declara que as escrituras são a norma determinada para todas as decisões da fé e da vida. A igreja, longe de ter a prioridade sobre as escrituras, é na verdade criação das escrituras, nascida no ventre das escrituras. Quanto a isto Lutero não fazia concessão à qualidade de pedra de toque das escrituras.  Todos os credos, os ditos das Pais da Igreja, as decisões conciliares, deviam ser julgados pela “norma infalível da Palavra de Deus”, e nunca julgá-la[3] . Lutero dizia:

Ora, se qualquer um dos Santos Pais pode mostrar que sua interpretação está baseada nas escrituras, e se as escrituras provarem que esta é a forma o pela qual devem ser  interpretadas, então a interpretação esta certa. Se não é esse o caso, não devo acreditar nele.[4]

Lutero sempre foi taxativo nesta questão da autoridade bíblica. Tanto que isto o levou a questionar a autoridade do papa, na época a maior autoridade religiosa e muitas vezes também política. Muitas vezes ele declarou que a voz  das escrituras tinha mais peso que a voz do papa. Ele dizia que tanto o papa quanto o concílio ecumênico podiam equivocar-se no que haviam feito, e só as escrituras tinham autoridade infalível.[5] 

Por esse motivo foi acusado de heresia. É interessante notar que não havia por parte de Lutero uma briga pessoal com a figura do papa. Para ele, o papa poderia ser tolerado como chefe e administrador da igreja, baseado na lei humana, a lei da conveniência. No entanto, o papa reivindicava um governo de direito divino, e fazia de si mesmo um personagem absoluto na igreja. Lutero não podia tolerar esta doutrina, porque para ele nenhum ser humano poderia se arvorar em vicário do poder divino.[6]

Certa vez em um debate com Eck, quando lembrado que seu primeiro dever era reconhecer a autoridade da igreja e, de início, declarar-se pronto a aceitar a interpretação que ela, a Igreja, fazia, ou viria a fazer, dos textos por ele citados, declarou que os artigos de fé deveriam derivar-se da escritura e não podiam ser estabelecidos pelo papa, nem pela igreja. Neste debate ele taxativamente questionou a autoridade da igreja católica e contra ela colocou a Bíblia interpretada pelo indivíduo.[7]

Mas para Lutero, nem todas as partes da Bíblia estavam no mesmo plano. Ele recomendava o estudo da Bíblia começando primeiro pelas passagens mais claras, para daí ir penetrando aos poucos o resto. Considerava  que existiam na bíblia, partes de difícil interpretação e por isso considerava falsa a interpretação alegórica corrente, que fora  inventada pelo judeus de Alexandria, que tentava provar que as noções mais elevadas da filosofia grega já se encontravam nos Livros Sagrados.[8]

Teve grande preocupação em descobrir o que o autor sagrado realmente queria dizer, e para tanto utilizou-se de todos os recursos que tinha à época. Para que se tenha uma idéia da seriedade com que Lutero encarava esta questão,  na Carta sobre a arte de traduzir, escrita em 1530, ele afirma que ele e seus companheiros trabalhavam, por vezes, quatro dias para traduzir apenas três linhas do livro de Jó. Classificou os livros de acordo com a sua natureza e seu valor de edificação, estabelecendo a regra segundo a qual, a autoridade dos livros está na medida em que eles expressam a realidade de Cristo. Ele fez uma distinção clara entre o Antigo e o Novo Testamento: O primeiro é essencialmente o Livro da Lei, enquanto que o Novo Testamento é a mensagem das dádivas de Cristo, das quais nos beneficiaremos se tivermos fé. Entretanto, para ele, Lei ou Evangelho não se confinam ao Antigo ou ao Novo Testamento. Assim como o temor e o amor a Deus coexistem no coração do crente verdadeiro, também a proclamação das exigências de Deus e da sua misericórdia encontram-se nos dois testamentos que constituem a Bíblia.[9]

A Bíblia como palavra de Deus

Toda teologia de Lutero estava baseada na autoridade da Palavra de Deus, porém isso não quer dizer que Lutero fosse um biblicista rígido, pois para ele a Palavra de Deus era muito mais que a Bíblia. A Palavra de Deus era nada menos que Deus mesmo. Ele baseava essa afirmação nos primeiros versículos do evangelho de João, onde está registrado  que no princípio era a palavra, e a palavra estava com Deus, e a palavra era Deus. Segundo Lutero, a Bíblia é então a palavra de Deus, não porque seja infalível, ou porque seja um manual de verdades que os teólogos podem utilizar em seus debates entre si. A Bíblia é a palavra de Deus porque nela Jesus Cristo chega até nós.[10]

Por isso ao mesmo tempo em que insistia na autoridade das escrituras, era capaz de fazer comentários pejorativos sobre certas partes dela. Essa idéia de palavra de Deus como Jesus Cristo, era a sua base de resposta a um dos principais argumentos dos católicos. Estes afirmavam que, como era a igreja quem tinha determinado quais os livros que deveriam formar o cânon, a igreja tinha autoridade sobre as escrituras. Esta forma de pensar é confirmada quando tempos depois,  no movimento da contra-reforma o Concílio de Trento define a doutrina das autoridades, numa atitude de reação a Lutero. Paul Tillich descreve tal doutrina da seguinte maneira:

A Escritura e a Tradição estão no mesmo pé de igualdade. Dizia-se: “Aceitas com a mesma piedade e reverência”. Foi assim que o Concílio de Trento negou o princípio das Escrituras. Mas não definiu o que era a tradição. Na verdade a tradição se tornou no dia a dia idêntica às decisões do Vaticano. Mas a tradição não foi definida. Ficando assim aberta, permitiu que o Papa a utilizasse do jeito que quisesse.(…) Quando prevalece o princípio bíblico, pergunta-se: quem interpreta a Bíblia? A resposta, sem ambigüidades, de Trento era esta: a Santa Mãe Igreja interpreta a Bíblia. No protestantismo essa tarefa era deixada para as faculdades de teologia. A diferença é que o Papa é um só e sua decisão é final; (…) Essa doutrina de autoridades, na igreja, reeditava o que os reformadores atacavam. O Papa jamais poderia ser deposto; não podia ser atacado nem criticado. Situava-se além de qualquer possibilidade de censura por qualquer autoridade competente, mesmo que fosse a Bíblia. Só ele possuía a poder da decisão final na interpretação do texto sagrado. [11]

A resposta de Lutero era que nem a igreja havia criado a Bíblia, nem a Bíblia havia criado a igreja, mas que o evangelho é que os havia criado. A autoridade final não está na bíblia, nem na igreja, mas no evangelho, na mensagem de Jesus Cristo, que é a palavra de Deus encarnada. Uma vez que a Bíblia dá um testemunho mais fidedigno deste evangelho do que a igreja corrompida do papa e que as tradições medievais, a Bíblia tem autoridade sobre a igreja e estas tradições.[12] Stoll registra as seguintes palavras de Lutero:

A ação de Deus nos alcança pelos meios que Ele mesmo escolhe, isto é, a encarnação e toda sua obra terrena. Desse fato a escritura é que dá testemunho. Daí decorre a autoridade única e decisiva desse livro. Não é exatamente a igreja que escolheu a Bíblia ou que constituiu seu cânon. Antes a misericórdia de Deus nos concedeu esse meio de ouvi-lo. A escritura é dada a igreja como meio incomparável de encontro com seu Deus. É, pois, privilégio o tê-la recebido. Sua autoridade não é dogma e sim graça, cujo imenso alcance cada geração deve redescobrir. (…) Em si a Bíblia não possui qualquer poder, tal como a igreja ou nossas experiências, mas posto que Deus a toma como sua própria expressão, ela passa a ser nas suas mãos e segundo a sua promessa, a nossa oportunidade de encontrá-lo e, portanto, a norma única da igreja. Sem dúvida, é possível abusar da Bíblia de inúmeras maneiras, rejeita-la ou tentar apropriar-se dela, deforma-la ou pretender acrescentar-lhe algo. Só a intervenção de Deus torna possível ouvir e descobrir sua riqueza e autoridade.[13] 

Quando queria expressar o que pensava ao afirmar que a Bíblia era a Palavra de Deus, dizia que na  Bíblia se encontrava a Palavra de Deus, a mensagem de Cristo, a expiação, o perdão dos pecados e a dádiva da salvação. Entendia que essa mensagem existia antes da Bíblia, na pregação dos apóstolos: “Se eu sei o que creio, conheço o conteúdo das escrituras, pois elas não contêm outra coisa a não ser o Cristo.” [14]

A Bíblia, a Igreja e o povo

A convicção de Lutero era tal que diante da Dieta de Worms, se negou a repudiar tudo o que havia escrito, a menos que fosse convencido de erros por meio dos profetas e do evangelho. Declarou em alto e bom som que a sua consciência estava sujeita a palavra de Deus e a menos que fosse convencido pela escritura e em sã consciência, não se retrataria de nada.[15] Em contrapartida o porta-voz da Igreja lhe respondeu: “Abra mão da consciência .(…) Nada é mais seguro que submeter-se à Igreja.”[16]

Neste dia ficou claro que para a Igreja a autoridade da Escritura era apenas teórica. Estava sempre sujeita a autoridade da Igreja. Para Lutero, a certeza de ter encontrado um fundamento seguro para suas convicções, expressa-se na última estrofe de seu cântico composto, segundo Spitta, na ocasião da Partida de Worms:  “de Deus o Verbo ficará, sabemos com certeza. E nada nos assustará, com Cristo por defesa. Se temos de perder os filhos, bens, mulher. Se tudo se acabar, e a morte nos chegar, com ele reinaremos.”[17]

Esta convicção era tão forte em seu coração, que se empenhou durante seu exílio em Wartburg, em colocar o Novo Testamento numa tradução ao alcance do povo, a fim de que cada um pudesse julgar por si mesmo de que lado estava a verdade. Ele demonstrou de uma forma mais prática aquilo que cria, quando ao voltar de seu exílio encontrou alguns reformistas radicais que pendiam para outro extremo e estavam incorrendo no mesmo erro da igreja. Retomou a ordem das coisas em apenas oito dias, recomendando sempre que nada deveria ser feito, senão contar com a ação soberana da Palavra.[18] A transformação deveria acontecer pelo poder da Palavra, e não dos homens.

A preocupação de Lutero com relação as escrituras não estava só relacionada ao estudo da teologia, mas  também na sua proclamação. No seu catecismo maior ele vai dizer:

Se o evangelho não for corretamente pregado, os fiéis tombarão inevitavelmente sobre si mesmos e procurarão amparos ilegítimos para suas vidas. Abandonarão a fé, ou o que é mais provável, acrescentarão a ela toda sorte de noções e preceitos humanos e a  própria igreja voltará a ser uma associação humano-divina, e se acomodará em sua falsa segurança, fazendo-se desatenta ao evangelho.[19]

No seu breve comentário sobre o Domingo, Lutero diz: “Devemos temer e amar a Deus a fim de não desprezarmos a  pregação de sua palavra, mas nutrir por ela santo respeito e ter prazer em ouvi-la e estudá-la.” [20]

 A Bíblia e a Reforma

Para toda a Reforma o princípio da “Sola Scriptura” foi fundamental, uma vez que a reforma só é importante na medida em que procede de uma intervenção pessoal de Deus, como a vitória da palavra de Deus sobre a nossa imaginação, da Bíblia sobre a igreja. A característica da espiritualidade reformada é  uma atitude intensamente comprometida com a verdade, de humildade e renuncia do eu próprio, na qual o crente espera tudo da palavra de Deus e nada de si mesmo.[21]

Este é um ponto de convergência em todos os reformadores. Tanto Lutero, como Calvino, Teodoro de Beza e Zwinglio  entendiam que por não se ter dado a devida atenção à palavra de Deus nas escrituras, a igreja enveredou pelas doutrinas humanas que acabaram por adquirir autoridade em vista da falta de interesse pelo evangelho. Para eles o principal erro do dualismo não era o de atribuir demasiada importância ao homem, mas o de negligenciar o ensino das escrituras em virtude da falta de interesse pela revelação. É esse erro que conduz à afirmação dos valores humanos tidos implicitamente por essenciais ao evangelho.[22]

Dessa perspectiva, o ponto de partida da reforma é inteiramente positivo: ela simplesmente procurou centralizar o interesse dos teólogos e dos fiéis unicamente no Deus da revelação.

A Bíblia e a experiência

É interessante notar que no tempo de Lutero muitos já se levantavam pregando a importância da experiência acima da escritura. Durante o seu exílio, apareceram em Wittemberg três leigos vindos da cidade vizinha de Zwickau que diziam ser profetas. Segundo eles, Deus lhes falava diretamente, e não tinham necessidade das escrituras. Também durante as revoluções camponesas, Tomás Münstzer, natural também de Zwickau, dizia que o que importava não era o texto das escrituras, mas sim a revelação presente do Espírito Santo.[23]

O que estava em jogo era nada menos que o evangelho. Lutero combateu fortemente estas doutrinas, colocando a Bíblia como o guia de fé e prática do homem. Ele mantinha o equilíbrio entre a fé e a Palavra, exigindo a disciplina rigorosa das experiências pessoais através do confronto com as experiências canônicas dos profetas e dos apóstolos. Ele tinha uma grande preocupação em evitar que se confundisse os produtos de uma imaginação livre, exaltada e delirante com o impulso salutar do Espírito.[24]

Timothy George descreve assim as palavras de Lutero: “As escrituras sagradas lembram-nos de que tudo na vida é vivido na presença de Deus. Elas são o testemunho inspirado da perfeita revelação de Deus em Cristo Jesus, e o manual diário do cristão em suas lutas e vitórias na fé.” [25] Deve ficar bem entendido que Lutero não exclui a experiência pessoal com Deus, através da pessoa do Espírito Santo. Ele diz que a Bíblia é a autoridade final, mas também deixa claro que a Palavra de Deus é viva. Isso significa que torna vivos os que crêem nela. Henry Strohl cita as palavras de   Lutero na paráfrase do “Magnificat” em 1521 confirmando esta idéia:

Para se compreender bem esse cântico sagrado, cumpre observar que a Virgem fala após a experiência pessoal em que foi iluminada e instruída pelo Espírito Santo. Ninguém compreenderá a Deus ou a sua Palavra se não for diretamente esclarecido pelo Espírito Santo. Quando experimentamos a ação do Espírito, provando-a e sentindo-a, então temos a segurança de que estamos sendo instruídos por ele. (…) Assim é a obra do Espírito Santo (…) Não podemos compreender a obra de Deus sem experimentá-la pessoalmente.[26]

Lutero não sabia nada de um conhecimento da Bíblia puramente objetivo, desinteressado ou erudito. Tal conhecimento, mesmo se possível, seria apenas a letra morta que mata. O Espirito vivifica! Deve-se, portanto, sentir as palavras das escrituras no coração. A experiência é necessária para entender a Palavra. Não é meramente para ser repetida ou conhecida, mas para ser vivida e sentida.[27]

Para Lutero a escritura é a autoridade final, e deve ser o guia para toda e qualquer experiência com Deus.

A importância dos símbolos

Ao se aprofundar no estudo das escrituras, Lutero começou a perceber que muitas das práticas da Igreja iam de encontro à Palavra, ou não tinham qualquer respaldo nela. Quanto mais conhecia das escrituras, mais difícil se tornava sua permanência na Igreja. Passo a passo a sua experiência o separou da obediência em que se havia exercitado antes. Essa separação de Roma ficou clara, quando afirmou que o direito divino do papa era uma reivindicação demoníaca, procedente do Anticristo. Quando falava isto, o fazia com seriedade teológica, pois a sua revolta, não eras contra uma pessoa particular por causa de suas falhas. O que ele criticava era a figura do papa e a sua reivindicação de ser o representante de Cristo por direito divino, o que para Lutero significava a destruição de muitas almas que nisto acreditassem, pois o papa queria para si, um poder que pertencia apenas a Deus.[28]

Neste aspecto o seu discurso centrou-se em sua oposição à doutrina romana das indulgências.

A Igreja sacramental

A Igreja Romana era essencialmente uma igreja sacramental. Nessa estrutura, Deus se presentifica sempre. Não se coloca à distância nem apenas faz exigências. Essa visão sacramental percebe o divino presente nas coisas, nos atos, visíveis e reais. Qualquer igreja sacramental terá sempre a necessidade de experimentar a presença de Deus de uma forma visível e palpável. O que traz dificuldades na prática romana é que, a hierarquia, e apenas ela, administrava os sacramentos de modo mágico, de tal maneira que os que não participavam deles se perdiam, e os participantes, mesmo indignos, sempre os recebiam.[29]

Isto acontecia porque a igreja havia criado doutrinas e práticas que, de alguma maneira a colocassem como a detentora das capacidades divinas, ou seja, o povo foi levado a crer que, coisas como salvação, condenação, perdão, castigo, etc., estavam sob o controle da igreja, e ela teria o poder de administrá-los como lhe melhor conviesse. E fica claro através da história que a igreja procurou tirar partido disto para obter vantagens materiais.

Vale lembrar que a Igreja Romana ensinava que todos os pecados anteriores ao batismo eram lavados neste rito. O sacramento da penitência estava previsto para cuidar dos pecados posteriores ao batismo. A igreja ensinava que o pecado ofendia em duas direções: trazia culpa ante a Deus e agredia a igreja terrena. O sacerdote pronunciava o perdão de Deus; a ferida à instituição terrena, devia ser expiada por orações específicas, donativos em dinheiro, uma peregrinação religiosa, ou um ato de devoção similar. A maneira mais popular de pagar esta dívida terrena nos dias de Lutero, era mediante a compra dos autos de indulgência dos representantes papais. Isto já era algo que  incomodava Lutero, mas como se não bastasse, o Papa Leão X com o objetivo de atrair compradores e aumentar a sua receita, perverteu a antiga doutrina católica, que já não era tão bíblica e divulgou através do monge dominicano Tetzel que, tanto a culpa contra Deus  e o castigo contra a igreja terrena poderiam ser pagos pelas indulgências.[30]

Isto realmente enfureceu Lutero. Através das indulgências a Igreja pretendia dar ao homem a bem-aventurança eterna, salvando-o da punição. As alternativas eram o eterno sofrimento no inferno ou o terno prazer no céu. Alcançava-se tal propósito por meio dos sacramentos, nos quais a graça-mágica e divina fica de um lado, e a liberdade moral produtora de méritos, do outro. A graça mágica era completada pela lei ativa, e a lei ativa era completada pela graça mágica.

O grande problema desta doutrina, é que “a contrição – o arrependimento em si, a mudança de mente – era substituída pela atrição, que era o medo da punição eterna; arrependimento, segundo Lutero, inspirado pela ameaça  iminente do patíbulo, assim sendo, sem qualquer valor religioso. O fator decisivo era, então, a humilde submissão às satisfações exigidas pelo sacerdote. Era preciso sacrificar certas parcelas de dinheiro para a compra de indulgências. Adquirindo-as, os penitentes não mais precisavam cumprir as penas determinadas pelo confessor.”[31]

Pode-se dizer que se procedia um certo tipo de comércio da vida eterna. Qualquer um podia comprar indulgências e livrar-se dessa forma de todas as penas, tanto aqui na terra quanto no purgatório. Isto gerava nas pessoas um forte sentimento de insegurança, fruto da falta de comunhão com Deus, e as levava  a preocupar-se em acumular boas obras mediante as peregrinações, confissões e invocação aos santos.

Os sacramentos e a fé

Lutero respondia a esta doutrina dizendo que nenhum sacramento era eficaz por si mesmo, sem a plena participação de quem o recebesse, isto é, sem ouvir a Palavra relacionada com o sacramento, e sem a fé que o aceita. Os sacramentos enquanto tal, nada valiam. Segundo Tillich, Lutero provocou uma reviravolta na religião e na ética:

Não se cumpre a vontade de Deus, longe de Deus. Precisamos do perdão dos pecados. (…) O jugo de Cristo só pode ser imposto às pessoas por meio do perdão divino. Trata-se de interpretação completamente diferente do moralismo. A ação moral é conseqüência – que pode ou não acontecer, embora se espera que aconteça – de um prius que é a graça divina, o perdão de Deus e o poder de ser, concedido por Deus. Essa é a novidade. (…) Se alguém disser “Oh, Deus deve me amar porque eu o amo e faço todas as coisas que ele exige de mim” – a saber, o que em geral ele exige! – então se inverte o relacionamento religioso e o ético. (…) A frase sola fide é a mais mal entendida e prejudicada expressão da Reforma. (…) A frase não deveria ser, “apenas pela fé”, mas “apenas pela graça, recebida unicamente por meio da fé”. Fé significa nada mais do que e aceitação da graça.[32]

É com este argumento que Lutero procura desmistificar o lado mágico do pensamento sacramental. Para ele, a missa por exemplo, era considerada um sacrifício oferecido por nós a Deus, quando, na verdade, nada temos a oferecer a Deus, que possa nos justificar. Nesse caso a missa enquanto sacramento, não passava de blasfêmia e sacrilégio, uma vez que pretendia ser a oferta humana a Deus em lugar de recepção do dom de Deus em Cristo. Por esta e outras razões, em seu ensino ele eliminava todos os sacramentos, exceto a ceia e o batismo. Gonzales explica da seguinte forma o pensamento de Lutero:

Dentro da igreja a Palavra de Deus chega até nós pelos sacramentos. Para que um rito seja um verdadeiro sacramento, tem de ter sido instituído por Jesus Cristo, e há de ser um sinal físico das promessas evangélicas. Portanto há somente dois sacramentos: o batismo e a ceia. Os demais ritos que recebem esse nome, mesmo que possam ser benéficos, não são sacramentos do evangelho.[33]

No seu tratado “O Cativeiro Babilônico da Igreja”, de outubro de 1520, ele afirma que nenhuma base existe nas escrituras para os outros cinco sacramentos. Em alguns destes, via rasgos proveitosos, porém disse que haviam sido corrompidos por Roma.[34]

Quanto à ceia e ao batismo, declarava que possuíam em comum o fato de ambos proclamarem o perdão dos pecados; não serem eficazes em sua celebração, mas na fé que se tem neles; e serem extensões ou instâncias separadas da Palavra de Deus, e assim, comunicam à igreja as promessas infalíveis de Deus. Portanto, há a mais estreita relação possível entre  Palavra pregada e a Palavra promulgada nestes sacramentos, isto é, as “palavras visíveis de Deus”. Ele fala também sobre a doutrina mecânica dos sacramentos, ou seja, a idéia de que os sacramentos, em virtude de sua realização, concediam graça.  Defendia que a fé, mesmo à parte dos sacramentos, era suficiente para a salvação. Certa vez ele declarou: “Você pode crer mesmo sem ser batizado, porque o batismo não é nada mais do que um sinal externo que nos faz lembrar da promessa divina.” [35]

Para ele o batismo é o sinal (símbolo) da morte e ressurreição do cristão com Jesus Cristo. O batismo e a fé andam estreitamente unidos, pois o rito sem fé não é válido. Quanto a ceia, apesar de se opor a idéia de que esta conferisse graça, não estava disposto a dizer que era um mero símbolo de realidades espirituais. Segundo ele, os fiéis participam literalmente do corpo de Cristo, porém ao contrário da transubstanciação,  o pão e o vinho continuam sendo pão e vinho, sendo que estão também neles o corpo e o sangue do Senhor, e o crente se alimenta deles ao tomar o pão e o vinho. Lutero chamava esta doutrina de a presença de Cristo em, com, debaixo, ao redor e por trás do pão e vinho. Vale lembrar que ele nunca usou a expressão consubstanciação para esta doutrina.[36]

Pontos de divergência

Nem todos os que se opunham às doutrinas tradicionais pensavam da mesma maneira acerca deste assunto, o que se tornou um dos fatores mais divisionistas entre eles. Carlstad, que era seu colega na universidade de Wittenberg, negava a presença verdadeira de Cristo, e cria que a ceia era simplesmente um memorial. Para ele a presença de Cristo no sacramento era simbólica. Quando Jesus disse “isto é o meu corpo”, estava apontando para si mesmo e não para o pão. Também não aceitava de forma alguma as imagens gravadas. Muitos destes pontos de divergência vieram à tona durante o exílio de Lutero em Wartburg. Em 1522 vários radicais tentaram levar a cabo as idéias de Lutero. Um dos seus irmãos agostinianos condenou a missa, o uso das imagens e insistiu no repúdio aos votos clericais. Parte do povo derrubou os altares e mutilou imagens e quadros dos santos. Condenou-se até o uso da música e dos instrumentos musicais nos serviços da igreja.[37]

Sabendo disto, Lutero deixou voluntariamente o seu exílio em Wartburg para tomar o comando pessoal no ataque a estes radicais. Lutero pode ser descrito como um reformador conservador, visto que conservou muito do passado pós-apostólico. Aprovava o uso de velas, do crucifixo e dos quadros, ainda que estes não deviam ser especialmente reverenciados. Reteve os elementos da tradição católica romana, que ao seu juízo não são proibidos especificamente pelas escrituras.[38]

Por outro lado isto teve um grande benefício histórico no que diz respeito à música. Latourette afirma:

Lutero fez muito uso da música. Um dos rasgos da reforma, tanto protestante como católica, foi a maneira em que houve a expressão por meio de hinos. (…)  O canto congregacional foi uma de suas grandes paixões, por isso tomou a iniciativa de incentivá-los, dando-lhe ampla participação na liturgia e em outros serviços religiosos.[39]

Somente pela fé e pela graça

Apesar de conservador, ele  era enfático em dizer que qualquer tipo de simbolismo deve apontar para a fé em Cristo. Paul Tillich define de uma forma bastante clara o pensamento de Lutero em relação aos rituais simbólicos:

Ele queria dizer que o ato sacramental era apenas a forma em que se expressava uma atitude muito mais universal. O importante era a relação com Deus. O que os reformadores trouxeram não foi uma nova doutrina, mas uma nova forma de relacionamento com Deus. Essa relação não se expressava num comércio entre Deus e homem, mas era pessoal e penitente, em primeiro lugar. E, em seguida, relação de fé.(…) Para Lutero, pecado é falta de fé. “Falta de fé é o verdadeiro pecado. Nada justifica a não ser a fé; nada é pecaminoso a não ser a falta de fé. A falta de fé é todo o pecado.” A respeito do conceito de pecado, significam que diferenças de quantidade ( pecados leves e graves ) e de relatividade ( pecados possíveis de perdão desta ou daquela maneira ) não tem a menor importância. Tudo o que nos separa de Deus tem o mesmo peso; não há “mais” nem “menos”.[40]

Este pensamento era fruto de um conflito pessoal de Lutero. Tanto que perto do fim de sua vida lembrou-se  de como, quando era monge, todas as suas tentativas de satisfazer a Deus – orações, jejuns, vigílias, boas obras – deixavam-no com uma consciência totalmente intranqüila, até que começou a entender que a “justiça de Deus” significava aquela justiça pela qual o homem justo vive mediante o dom de Deus, isto é, pela fé em Cristo. T. George cita uma frase marcante de um de seus escritos a esse respeito: “Se a fé não é nada sem todas as obras, até mesmo sem as menores delas, ela não justifica; na verdade nem mesmo é fé.” [41]

Para ele as únicas obras de satisfação são obras de amor; todas as outras não passam de invenção arbitrária da igreja. Os elementos mágicos e legalistas desaparecem porque graça é comunhão pessoal de Deus com o pecador. Não há qualquer possibilidade de mérito; apenas a necessidade de aceitação. Não há nenhum poder mágico oculto em nossas almas ou nos símbolos capaz de nos tornar aceitáveis, mas somos aceitos apenas no momento em que aceitamos a aceitação de Deus. Portanto, Lutero declarava que as atividades sacramentais deveriam ser rejeitadas quando interpretadas desta forma mágica. O simbolismo pode persistir, mas significando coisa completamente diferente.[42]

O relacionamento do homem com Deus flui através da graça, por meio da fé, e graça significa a plenitude de tudo aquilo que se fazia necessário para o homem. Logo, a origem, o conteúdo, e a perfeição de toda verdade cristã residem neste gesto inteiramente gratuito independente de qualquer outra realidade, que foi a cruz. Qualquer tentativa de se lhe acrescentar algo, não só o enfraquece como também o destrói, posto que seu valor consiste precisamente na totalidade de seu alcance.[43]  Em um de seus escritos intitulado A Liberdade do Homem Cristão de Novembro de 1520, Lutero resume de forma clara o seu pensamento:

Uma coisa e só uma coisa é necessária para a vida, a justificação e a liberdade cristã; (…) através do evangelho de Deus, referente ao seu filho, encarnado, sofredor, ressuscitado e glorificado pelo Espírito Santificador. Porque  só a fé e o uso da Palavra de Deus trazem a salvação.[44]

Philip Melanchton, durante o funeral de Lutero,  sintetizou de uma forma única a sua contribuição histórica:

Lutero trouxe à luz a doutrina verdadeira e necessária. Que as densas trevas existentes afetaram a doutrina do arrependimento é evidente. Em suas discussões, ele mostrou o que é o verdadeiro arrependimento e qual é o refúgio e o conforto seguro da alma que teme a ira de Deus. Ele expôs a doutrina de Paulo, que diz que o homem é justificado pela fé. Ele mostrou a diferença entre a lei e o evangelho, entre a justiça da fé e a justiça civil. Ele também mostrou o que é o verdadeiro culto a Deus e reconvocou a igreja da superstição pagã que imaginava que Deus é cultuado, mesmo quando a mente, agitada por alguma dúvida acadêmica, afasta-se de Deus. Ele nos ofereceu o culto em fé e com uma boa consciência e levou-nos ao único Mediador, o Filho de Deus, que está assentado à mão direita do Pai eterno e intercede por nós – não às imagens ou aos homens mortos.[45]

A formação eclesiástica da Igreja

Quando falamos na importância de Lutero para o protestantismo, não podemos excluir a doutrina que é considerada a sua maior contribuição à eclesiologia protestante, embora a mais mal interpretada.[46]

Voltando um pouco na história, vamos perceber que  na sua formação,  a igreja era o povo de Deus chamado universalmente de todas as nações: bárbaros, gregos, judeus, etc. Neste contexto algumas questões surgem, como por exemplo, como distinguir os chamados que aceitavam com o credo eclesiástico, dos de fora e também dos hereges que faziam parte da igreja?  Como determinar as verdadeiras doutrinas da igreja em contraste com os ensinamentos oriundos dos bárbaros, gregos ou dos judeus?

A resposta encontrada foi dar ao bispo, que era o supervisor da congregação este poder decisório. Os profetas que aparecessem poderiam estar certos ou errados, mas o bispo sempre estaria certo. Ele representava a doutrina verdadeira. Com o passar do tempo a figura do bispo foi se tornando cada vez mais importante, e gradualmente ele se tornou uma espécie de monarca, fazendo nascer o episcopado monárquico.[47]

A igreja cresceu rápido demais, e pensava-se que o povo não poderia assumir, como se dizia, o jugo de Cristo, demasiadamente pesado para ele. Então um grupo tomou para si esta “responsabilidade”, fazendo da religião a sua vocação. Por isto, quando chegamos a idade média, vamos encontrar um padrão duplo de moralidade, no que diz respeito ao monasticismo: Os conselhos para os que viviam mais perto de Deus, e as regras, para os outros.[48]

A conseqüência disto é que os monges, de alguma maneira se tornavam superiores aos mortais comuns. Havia  formas e normas diferentes para se relacionar com Deus. A sociedade foi dividida em duas classes distintas: o clero, que eram os que dedicavam-se exclusivamente a religião e por isso tinham mais capacidade, direito ou autoridade espiritual; e os leigos, que praticamente não tinha espaço na vida religiosa.

Todos são iguais diante de Deus

Lutero, que enquanto monge experimentou esta realidade, rompeu decisivamente  com esta divisão tradicional da igreja em duas classes, clero e laicato, baseando sua afirmação em dois textos do Novo Testamento: I Pedro 2:9 – “Vós (…) sois (…) sacerdócio real” – e Apocalipse1:6 – “nos constituiu reino, sacerdotes”.[49]

Para isto, estabeleceu o princípio do sacerdócio de todos os crentes de uma forma sólida, poucos meses depois do seu estudo sobre o papado. A essência deste princípio pode ser expressa numa única frase: todo cristão é sacerdote de alguém, e somos todos sacerdotes uns dos outros. Baseava-se nele o escrito que dirigiu “à nobreza cristã.” Strohl resume de forma interessante o conteúdo deste documento:

O manifesto invoca numerosas passagens bíblicas para provar que, diante de Deus, todos os cristãos são iguais. Não há, diz Lutero, qualquer diferença de dignidade (Stand) entre os cristãos. É abusiva, portanto, e contrária à Palavra de Deus, a pretensão do clero de ter recebido o privilégio exclusivo de competência em matéria religiosa, e de não ter contas a prestar ao povo cristão.(…) Não obstante, Lutero reconhecia que na Igreja, como em qualquer sociedade, certas pessoas podem ter encargos especiais; mas no caso trata-se de funções (Amt) revogáveis pela autoridade do próprio povo que, por direito, as institui. Servindo-se  do testemunho de São Cipriano e  Santo Agostinho, autoridades clássicas em teologia, afirma que no tempo desses pais a Igreja era democrática: os bispos eram eleitos pelos fiéis e, portanto, responsáveis perante os mesmos. (…) estamos diante de um caso de usurpação. Tudo isso é dito para justificar o direito dos leigos de assumir a iniciativa das reformas necessárias.[50]

Sacerdotes uns dos outros

Para alguns, isso poderia significar apenas que não haveria mais sacerdotes na igreja, e que cada cristão deveria isolar-se em si mesmo. Mas ao invés disto,  o que Lutero quis ensinar é que o ser sacerdote não quer dizer que o sejamos somente para nós mesmos, mas que o somos também para os demais, e os outros o são para nós. Em lugar de abolir a necessidade da igreja, este princípio aumentava esta necessidade. Ficava claro que não havia mais a necessidade de um sacerdote hierárquico, que fosse o único meio de chegar a Deus.

Em contrapartida, existia a necessidade dessa comunidade de crentes, dentro da qual cada membro é sacerdote dos demais e nutre a cada um deles. Sem essa relação com o corpo, o membro não pode continuar vivendo.[51] O sacerdócio é tanto uma responsabilidade, quanto um privilégio, um serviço tanto quanto uma posição. Isto significa que cada pessoa, enquanto cristão, pode ir perante Deus e interceder pelo outro. A unidade e igualdade em Cristo deve ser demonstrada pelo amor mútuo e pelo cuidado de uns pelos outros. Na bíblia a idéia que melhor ilustra a realidade da igreja , é a do corpo com muitos membros, todos interdependentes, seja qual for  a função que exercem. Só há um cabeça, e esse é Jesus Cristo.

A congregação e o ministro

Lutero entendia claramente que era necessário para a liderança da igreja, a escolha de pessoas mais preparadas, inclusive devido a importância da pregação na vida da igreja. O que ele não abria mão era de que à igreja, na pessoa de seus membros, pertencesse a capacidade sob a orientação de Deus, de indicar este líderes. Para ele todo cristão é ministro e tem o direito de pregar. Esse direito pode ser livremente exercido se alguém estiver entre os não cristãos.

Entretanto, numa comunidade cristã, não se deve chamar a atenção sobre si mesmo, assumindo tal ofício por conta própria. Antes, deve-se deixar ser chamado e escolhido para pregar e ensinar no lugar de outros e sob o comando deles. O chamado é feito pela congregação, e o ministro continua tendo de prestar contas a ela.[52]  Ele desenvolve estas idéias em 1523, no  trabalho intitulado “Uma comunidade cristã tem o direito e o poder de julgar matéria de doutrina, de dar posse a pregadores e de destituí-los”. Neste trabalho ele descreve a seguinte situação concreta:

Mesmo que haja, em determinado lugar, um único crente verdadeiro, pode nascer daí um grupo de cristãos, desde que aquele crente verdadeiro proclame corajosamente seu testemunho no meio incrédulo em que vive. Havendo já vários crentes, estes devem empenhar-se por conseguir os serviços de um pregador qualificado, ao invés de esperar que Deus o envie do céu. A escritura incita-nos a procurarmos, nós mesmos, os homens que nos possam edificar. O direito e o dever de assim proceder decorrem do princípio do sacerdócio universal e da obrigação de pô-lo em prática.[53]

Para Lutero o ministério não envolvia qualquer estado de perfeição, nem de graças superiores, ou coisas semelhantes. Para ele o leigo é tão sacerdote como qualquer sacerdote. O sacerdote oficial apenas fala pelos outros porque os outros não sabem se expressar como ele. Assim, apenas se exige do ministro que seja chamado pela congregação. A ordenação não tem nenhum significado sacramental.  Ele dizia que “ordenar não é consagrar. Concedemos o poder da Palavra, que nós temos: a autoridade de pregar a Palavra e de distribuir os sacramentos;  isso é a ordenação.”[54]  Ela não produzia diferença alguma nas relações do homem com Deus. Logo, o papel do ministro, ou sacerdote oficial, é o de ser um instrumento de serviço. Ele é chamado, segundo Lutero, para servir a igreja e não para se servir da igreja.

As dificuldades

O que Lutero não contava nisto tudo, é que o povo não estivesse  pronto para estas mudanças. Ele logo percebeu isto durante o seu exílio em Wartburg, não somente da parte do povo mas também daqueles cuja colaboração sempre contava. Chegou mesmo a ficar “desiludido com a falta de discernimento dos que se deixavam arrastar por espíritos aventureiros e incultos, alienígenas, que, alegando iluminação e em nome do sacerdócio universal, reclamavam para si o poder de direção e impunham reformas sociais e de culto para as quais os espíritos não estavam preparados.” [55]

Conquanto isto não tivesse chegado a influenciar decisivamente na orientação do pensamento de Lutero, com certeza contribuiu para confirmar  a necessidade de confiar a pregação da Palavra em Wittemberg, à  pessoas mais cultas e esclarecidas e de fixar os limites das iniciativas dos leigos, o que acabou acontecendo. Mas mesmo com todas as dificuldades, o princípio do sacerdócio universal abriu uma nova perspectiva para que as pessoas pudessem ver a igreja como uma comunidade onde o indivíduo presta serviço a Deus e ao próximo, e não apenas participa como mero espectador.

  • Texto extraído e adaptado de: Pinheiro, Jorge; Marcelo Santos.Manual de História da Igreja e do Pensamento Cristão – 2ª Ed. 2013 – Fonte Editorial/SP

[1] Henry Strohl – O Pensamento da Reforma – Pg. 70,71

[2] Strohl – Pg. 71

[3] Timothy George – Teologia dos Reformadores – Pg. 82,83

[4] T. George – Pg. 83

[5] Robert  A. Baker – Compendio de La História  Cristiana – Pg. 186,187

[6] Paul Tillich – História do Pensamento Cristão – Pg. 215

[7] Keneth Scott Latourette – História del Cristianismo – Tomo II – Pg. 55

[8] Strohl – Pg. 74

[9] Strohl – Pg. Pg. 74,75

[10] Justo Gonzales – Uma História Ilustrada do Cristianismo Vol. 6 – Pg. 65,66

[11] Tillich – Pg. 196,197

[12] J. Gonzales  – Pg. 67

[13] Jacques de Senarclens – Herdeiros da Reforma – Pg. 116

[14] Tillich – Pg. 222,223

[15] Latourette – Pg. 62

[16] Strohl – Pg. 72

[17] Strohl – Pg. 72

[18] Strohl – Pg. 72

[19] Jacques – Pg. 100

[20] Jacques – Pg. 101

[21] Jacques – Pg. 100,108

[22] Jacques – Pg. 101,102

[23] J. Gonzales – Pg. Pg. 78,81

[24] Strohl – Pg. 73

[25] T. George – Pg. 87

[26] Strohl – Pg. 73

[27] T. George – Pg. 86

[28] Tillich – Pg. 215

[29] Tillich – Pg. 217

[30] Baker – Pg. 184-186

[31] Tillich – Pg. 213

[32] Tillich – Pg. 216

[33] J. Gonzales – Pg. 70

[34] Latourette – Pg. 58

[35] T. George – Pg. 93

[36] J. Gonzales – Pg. 71,72

[37] Latourette – Pg. 64 -72

[38] Baker – Pg. 189

[39] Latourette – Pg. 67

[40] Tillich – Pg. 213,214,224

[41] T. George – Pg. 72

[42] Tillich – Pg. 211,214

[43] Jacques – Pg. 112

[44] Latourette – Pg. 60

[45] Israel Belo de Azevedo – A Celebração do Indivíduo – A Formação do Pensamento Batista Brasileiro – Pg.46

[46] T. George – Pg. 96

[47] Tillich – Pg. 33

[48] Tillich – Pg. 215

[49] T. George – Pg. 96

[50] Strohl – Pg. 179

[51] J. Gonzales –  Pg. 70

[52] T. George – Pg. 97

[53] Strohl – Pg. 181

[54] Tillich – Pg. 231

[55] Strohl – Pg. 231