VAI ENTRAR PARA O CULTO? – Isaltino Gomes Coelho Filho

Domingo passado preguei em Jeremias 7.1-6: “Vai entrar para o culto?”. O profeta recebeu ordem de pregar ao povo antes deste entrar no templo. Apresentei três divisões no sermão: 1. Vai entrar para o culto? Converta-se (v. 3); 2. Vai entrar para o culto? Livre-se da falsa religiosidade (v. 4); 3. Vai entrar para o culto? Conserte os relacionamentos sociais (vv. 5-6).

 No último tópico falei de crentes que brigam, racham igrejas, não se submetem aos demais. Saem pisando duro, fraturam o corpo de Cristo, deixam amarguras. Depois vão adorar em outro lugar, como se nada tivessem feito. Lembram o cavalo de Átila: morre a grama onde pisam. Um colega falou-me de uma família de sua igreja que se faz ativa em todas as fraturas da igreja. Em todas as crises, nos últimos vinte anos, a família se fez presente. Mas ela se intitula de “família de adoradores”, por haver nela muitos músicos.

Numa igreja em que pastoreei, uma pessoa me procurou, orientada pelo pastor da igreja onde se reconciliara. Saíra brigado da nossa há vinte anos. O colega dissera-lhe que deveria voltar à igreja e pedir perdão. Eu lhe disse que haviam se passado vinte anos, eu não era o pastor na época e a membresia era outra. Mas o conselho fora este: ele machucara a igreja de onde saíra e devia lhe pedir perdão. Como eu era o pastor atual fora lá pedir-me e que eu o abençoasse em nome de Jesus. Conselho judicioso do colega, embora muitos o vejam sem sentido. Eu mesmo achei-o inusitado, acostumado que estou a ver brigas em nome de Deus, do evangelho e da doutrina.

 Vai adorar a Deus? Conserte relacionamentos sociais. Antes de ser adorador, seja irmão. Não frature o corpo de Cristo. Não machuque em nome de Deus. Ele não machuca seus filhos nem magoa sua igreja.

 O verdadeiro adorador mostra adoração com a vida, mais que com lábios. Não são gestos estereotipados nem barulho. São relacionamentos corretos. Com Deus e com o próximo. Quanto adorador santo na igreja e demônio em casa! Quanto jovem que quase levita na hora dos cânticos, mas em casa é um filho mal-educado, respondão e desamoroso! Culto não é ato episódico ou que sucede num momento desconectado do resto da vida. É mais que ar compungido, barulho, palavras de ordem, mantras e gestos. É a evidência natural de uma vida rendida a Deus. É algo natural, sem estereótipos e sem imitações. Brota em uma vida transformada e se mostra com a vida toda. Gestos litúrgicos dissociados do caráter e da vida não são o culto. São pura artificialidade.

 Vai entrar para o culto? Não entre frio. Prepare-se com a vida.

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