O Império Carolíngio – Parte 2


O Renascimento Carolíngio.
É em relação aos séculos, VI e VII, a sua reputação de “séculos de ignorância” é por vezes exagerada. Diga-se, que se pode agora falar no Renascimento Carolíngio.
O ciclo de estudos abrangia oito ramificações, o Trivium (gramática, dialética e retórica) e o Quadrivium (aritmética, astronomia, musica e geometria), ou seja as sete artes liberais já do tempo dos gregos e seguidas pelos romanos mas com a introdução da Teologia.
Carlos Magno procurou para a sua corte grandes eruditos, trouxe gramáticos, historiadores e eruditos de conhecimentos enciclopédicos e bons teólogos. Inovou na arquitetura, na pintura, criou novos livros ao nível da escrita.
Nas apreciações feitas ao renascimento carolíngio, o historiador francês, Jacques Le Goff, não tem uma opinião muito positiva, chega mesmo a dizer que o imperador sabe ler mas não escrever e que se diverte como uma criança mandando criar um alfabeto de maiúsculas que procura decifrar durante a noite apalpando-as com os dedos debaixo do travesseiro. Há porem historiadores que têm uma visão muito mais positiva, como é o caso do alemão Karl-Ferdinand Werner, que nos diz que Carlos Magno ultrapassa a origem didática e a base teológica da reforma e que é ele que reúne na corte os espíritos mais conceituados de todas as nações do ocidente. Representa a viva fusão entre elementos romanos, gauleses e germânicos do que se transformaria a Europa.

Começos da Europa
Se, e só se, considerarmos a Europa como uma unidade de cultura ou de política, então podemos definitivamente considerar que foi com Carlos Magno que a Europa teve os seus começos. Podemos ainda ver um pouco a consciência européia, quando, ainda antes da coroação de Carlos Magno, o refere como “Chefe venerável da Europa” ou ainda “rei, pai da Europa”, ou às referências do império carolíngio como “a Europa Ocidental inteira”.

Cristianismo Como Religião Política

• Aceitação do cristianismo pelos germanos foi uma medida coletiva da liderança política, à qual o povo teve de se curvar.

• Os bispos eram nomeados pelo rei assim como os condes.

• Crenças germânicas são toleradas pela igreja.

• Igreja como instituição sacramental dirigida pelo alto clero.

• Fé popular consistia em veneração dos santos em proporções assustadoras, pelo desejo de adorar algo concreto.

• Atitudes de Carlos Magno – Proibição do surgimento de novos “santos”; obrigação dos leigos de decorar o Pai-Nosso e o Credo na língua do povo; deveriam se confessar uma vez por ano; observar as horas de oração durante o dia; instituiu o descanso dominical obrigatório; cobrança do dízimo como imposto; a pregação deveria ser em linguagem simples; tentou promover uma reforma nos mosteiros (Benedito de Aniano); valorizou a educação, utilizando-se da igreja para isto (Aquino de York, Todulfo).

Reforma Interna

• Seu filho Ludovico, o Pio, se torna o seu sucessor

• Na primeira dieta (817), adotou medidas importantes como: Criar enviados imperiais para julgar casos de opressão e ursupação; ordenou que todos os mosteiros se submetessem à Benedito de Aniano; A eleição dos bispos seria tarefa do clero e do povo; proibição de ostentação de luxo por parte do clero; divisão do dízimo em três partes (uma para o clero e duas para os pobres). Como conseqüência a igreja passou a ter mais autonomia que seria usa contra o próprio imperador.

• Após a sua morte seus domínios são divididos entre três de seus filhos. A partir daí o velho império carolíngio começa a entrar em decadência. Um tempo de conflitos, ao mesmo tempo em que ainda sofria os efeitos da expansão muçulmana.

O Sistema Econômico

• Com a expansão muçulmana, os cristãos perdem o domínio do mar. O dinheiro deixa de circular e a terra torna-se a principal fonte de riqueza. Surge o sistema feudal.

• Os feudos se tornam hereditários, o que vai resultar na fragmentação política e econômica de Europa Ocidental, e a decadência de diversas monarquias.

Atividade Teológica

• Como conseqüência da obrigatoriedade da confissão uma vez por ano, surge a primeira grande formulação dogmática da idade Média: o sacramento da penitência.

• A penitência da confissão, que fazia parte da vida do monge, foi transformada em obrigação para todos os crentes.

• Num primeiro momento, a ordem de confissão tinha três etapas: o verdadeiro arrependimento do coração; a confissão oral que deveria ser feita diante do confessor; a realização da penitência imposta. Somente após a realização do ato de penitência, é que o confessor deveria expressar a reconciliação. Com o passar do tempo (+ou – ano 1000) a prática passou a ser a seguinte: confissão do pecado, pressupondo-se a contrição do coração; imposição da satisfação por meio de obras, ao que o que confessava prometia cumprimento; a isso se seguia o anúncio de que havia reconciliação com a comunhão dos santos.

• Gregório magno conferiu duas funções ao sacerdote: o anúncio do perdão, quando da confissão, e o ofício das chaves na disciplina eclesiástica ( Mt 16:19/18:18 ). A partir daí começou o caminho para a definição da penitência como sacramento.

• Faltava regulamentar os castigos penitenciais, ou o cumprimento da pena imposta. Isto foi deixado a critério do sacerdote. Surge o conceito de indulgência, que vai ser entendida como o ponto que elimina a pena e a culpa, o pecado. Tinha validade também para a vida post mortem .

• Controvérsias teológicas também marcaram este período, como por exemplo: a que se referia ao Filioque; a do “adocionismo”; a da predestinação; a presença de Cristo na Eucarisatia.

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2 respostas em “O Império Carolíngio – Parte 2

    • Muito mais dos que as pessoas possam perceber. Vive-se a medievalidade em plena “pós-modernidade”.

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