O Islamismo: Origem e Desenvolvimento – Parte I

Acredita-se que o islamismo já tenha ultrapassado 1.200 milhões de seguidores, ou seja, mantendo-se o crescimento atual, de cada quatro pessoas na terra uma será muçulmana.

O islamismo possui uma boa estrutura organizacional e procura divulgar e propagar o Islã participando de organizações como a ONU. Embora tenham orgulho de afirmar que o islamismo é a única religião do mundo que pode unir todos os homens, hoje eles estão divididos em mais de setenta grupos que se fracionaram dos Sunitas e Xiitas.

Antes do Islamismo

A palavra islamismo vem de “islão”, palavra árabe que significa submissão, e foi usada pela primeira vez por Maomé.

A organização política da Arábia pré-islâmica era uma primitiva estrutura de famílias reunidas em clãs e tribos. As tribos recebiam nomes de um suposto ancestral comum. A Arábia antes de Maomé, como unidade política, existia somente na descuidada nomenclatura dos gregos, que chamavam a toda a população de península Sarakenoi, sarracenos, ao que parece do árabe sharqiyun (orientais). Cada tribo ou clã era vagamente governado por um Xeque escolhido por seus líderes de uma família tradicionalmente destacada pela riqueza, saber ou feitos de guerra.

Nos dias pré-islâmicos existiam vários ídolos que representavam deuses. Um deles chamado Alá (Allah), era provavelmente o deus tribal dos coraixitas. Os coraixitas abriram caminho para o monoteísmo adorando Alá como deus principal. Ele foi apresentado aos habitantes de Meca como senhor do seu solo, a quem deviam entregar o dízimo de suas colheitas e os primeiros que nascessem entre os seus animais.

Na qualidade de pretensos descendentes de Abraão e Ismael, os coraixitas nomeavam os sacerdotes e guardas do templo e administravam suas receitas. Uma minoria aristocrática da tribo, como os descendentes de Qusay, controlava o governo civil de Meca.

No começo do século VI os coraixitas estavam em duas facções: uma chefiada por um rico mercador e filantropo chamado Hashim e outra pelo seu ciumento sobrinho Umayya. Essa violenta rivalidade direcionaria o futuro da história do islã. Quando Hashim morreu foi sucedido como um dos chefes de Meca pelo filho ou irmão mais novo Ab al-Muttalib. Seu filho mais moço, Abdala casou-se com Amina uma descendente de Qusay. Abdala permaneceu com sua esposa três dias e depois partiu em uma expedição mercantil, morrendo durante a vigem de regresso em Medina. Algum tempo depois Amina deu à luz a uma das figuras mais importantes da história medieval.

A origem do Islamismo

Em 08 de Julho de 570d.C, na cidade de Meca, Arábia (um país deserto em ¾ de sua extensão), nascia Muhámad que se tornaria o profeta Maomé. Maomé era de uma família respeitada em Meca. Seu pai morreu antes do seu nascimento. Sua mãe faleceu quando tinha 6 anos. A partir de então viveu com seu avô por dois anos e depois foi morar com o tio Abu-Talib. Eles lhe dispensaram afeição e cuidados, mas parece que ninguém se incomodou em lhe ensinar a ler e escrever. Nunca se teve notícia de Maomé haver escrito algo de próprio punho. Sempre empregava um amanuense.

Ainda jovem exerceu a função de pastor, e somente depois começou a participar do comércio da cidade. Por alcançar urna imagem de bom negociante, com apenas 25 anos foi contratado por uma viúva muito rica Cadia (Khadijah), que no futuro tornou-se sua esposa e fiel conselheira. Desta forma, Maomé adquiriu estabilidade e pode então começar a se dedicar a sua “missão”.

À medida que se aproximava dos 40 anos, ficava cada vez mais absorvido da religião. Durante o mês santo da Ramadã ele se retirava, as vezes em companhia da família, para uma caverna no sopé do monte Hira, e passava muitos dias e noites em jejum, meditação e oração. Uma noite, no ano 610, quando se achava sozinho na caverna, aconteceu-lhe a experiência que daria origem a toda a história maometana. Segundo uma tradição relatada por seu principal biógrafo, Maomé contou o fato da seguinte maneira:

Enquanto estava dormindo, com uma colcha de brocado de seda, em que havia algumas escritas, o anjo Gabriel me apareceu e disse “leia”. Repliquei: “Não leio”. Ele me apertou com a colcha tão fortemente que pensei que fosse morrer. A seguir soltou-me e disse de novo: “Leia!” … Então li em voz alta e ele se foi finalmente. Acordei do meu sono e era como se duas palavras estivessem escritas no meu coração. Saí e comecei a andar e, a meio caminho da montanha, ouvi uma voz do céu que dizia: “Ó Maomé, és o mensageiro de Alá e eu sou Gabriel.” Levantei a cabeça na direção do céu para ver, e ei-lo, Gabriel, em forma de homem, de pés juntos na extremidade do céu dizendo: “Ó Maomé, tu és o mensageiro de Alá e eu sou Gabriel.”

Apesar de afirmarem que ele recebeu urna mensagem direta de Deus, Maomé foi tímido quanto ás suas pregações, pois tinha dúvida quanto a sua missão e também no que se refere a origem da mensagem, se provinha verdadeiramente de Deus ou de “Jinn” (possessão de demônios). Sua esposa e seu primo Waraka, que conhecia as escrituras dos hebreus e dos cristãos, aconselharam Maomé a se render as mensagens pois eram de Deus.

Mais tarde então, convencido de sua missão, decidiu dedicar-se a pregação, na qual apresentava o mesmo estilo das mensagens dos profetas do Antigo Testamento. Ele declarava que não estava pregando uma nova religião, mas apenas continuando a revelação que Deus tinha dado aos profetas do A.T. e a Jesus no N.T., o qual é considerado por ele como um grande profeta e não um ser divino. Suas mensagens eram marcadas pelo monoteísmo, por um forte conteúdo ético, especialmente no que se referia aos órfãos, viúvas e pobres, e pelo conceito de inferno e julgamento para com aqueles que eram idólatras e para com os ricos sem compaixão. Muito do que foi considerado formação do Islamismo, na verdade deve-se ás circunstâncias sociais e culturais de Meca durante o tempo de Maomé.

A fuga de Meca

Aproximadamente no ano de 622, Maomé começou a receber ameaças de morte por causa das suas mensagens. Não que ele tenha começado a incomodar os comerciantes de Meca somente neste ano, pois na verdade, já fazia uns três anos que Maomé atrapalhava o desenvolvimento econômico em Meca.

Meca em um centro de peregrinação da religião politeísta da Arábia, e boa parte de seus rendimentos estavam relacionados com os cultos. Os comerciantes da cidade, muitos antigos amigos quando ele também exercia este oficio, bem como parentes, voltaram-se contra ele. Sem razão? De forma alguma. As pregações de Maomé estavam atrapalhando o comércio local.

À medida que o povo de Meca estava cada vez mais contra Maomé, o povo de um oásis das proximidades, onde ficava o povoado que depois se chamou Medina, estava tendo sérios problemas devido às guerras entre as tribos. Nesta época, alguns líderes de Medina vieram para Meca adorar na Caaba, e admiraram-se com Maomé. Quando os problemas em Medina se agravaram, estes líderes mandaram uma comissão para Meca atrás de Maomé, afim de convidá-lo para ser líder religioso e político da região. Como sua situação não estava nem um pouco fácil em Meca, Maomé aceitou o convite, enviando primeiramente seus seguidores e em junho de 622, Maomé chegou em Medina. Este evento é chamado de Hijra (Hégira), que na tradução significa “migração”. Esta data é importantíssima para os muçulmanos, pois é em 622 que começam a ser contados os anos para os muçulmanos, e é neste lugar “Medina”, que foi estabelecida a primeira comunidade muçulmana, onde o culto, a vida política e civil seguiram as normas traçadas pelo profeta Maomé. Tal como sucede com todo pregador de êxito, Maomé deu voz e forma às necessidades e anseios de seu tempo.

A conquista de Meca

Em 630, Maomé, com o objetivo de expandir suas mensagens para outros povos, começou a liderar seus seguidores em ataques contra as caravanas que trafegavam através de Meca. Durante seus dez anos em Medina planejou 65 campanhas e incursões tendo liderado pessoalmente 27 delas. Depois de diversas campanhas, negociações e pactos, Maomé conquitou Meca, no entanto impediu a vingança de seus seguidores contra o povo de Meca. Em contrapartida, derrubou os ídolos do templo e instaurou o culto monoteísta, proclamou Meca a cidade santa do islamismo e decretou que jamais se deveria permitir a um infiel pisar seu solo sagrado. O derrotado pregador que havia fugido de Meca oito anos antes era gora senhor de toda sua vida.

Os seus dois anos restantes, passados na maior parte em Medina, foram uma sucessão de triunfos. Depois de algumas rebeliões sem importância, toda a Arábia se submeteu a sua soberania e crença. Sabe-se que Maomé enviou emissários ao imperador da Grécia, ao rei persa e aos governantes de Hira e Ghassan, convidando-os a aceitarem a nova fé. Aparentemente não houve resposta. Maomé acompanhou com resignação filosófica a destruição mútua em que se empenhavam então a Pérsia e Bizâncio, mas não parece haver acalentado qualquer pensamento de estender seu poder fora da Arábia.

Sua saúde e energia haviam suportado bem todas as tarefas do amor e da guerra. Mas aos 59 anos começou a fraquejar. Desde então sofria de estranhas febres e ataques. Aos 63 anos, essas febres tornaram-se mais intensas. Durante 14 dias vinham e desapareciam. Três dias antes de morrer, levantou-se do leito, caminhou até a Mesquita, viu Abu-Bequer dirigir os fiéis em seu lugar e humildemente sentou-se a seu lado durante a cerimônia. Morreu em 07 de junho de 632, depois de uma longa agonia.

Mesmo com a sua morte, as invasões muçulmanas continuaram agora sendo lideradas pelos califas (califat = sucessor).

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