Invasões Bárbaras – II

A partir do século IV sucessivas levas de povos bárbaros, conhecidas como invasões violentas, destruíram o frágil Império do Ocidente e por cinco séculos disputaram suas terras entre si.
Os visigodos foram os primeiros em, em 376 dC, a conquistar o direito de se estabelecerem no império romano, península dos Bálcãs. Em 410, liderados por Alarico O Grande, invadiram a Itália e saquearam Roma levando prisioneira Gala Plácidia, filha de Teodósio, então imperador. Em 413 Athauphos, sucessor de Alarico casa-se com Gala Placídia. Com a sua morte Placídia é entregue ao seu irmão que a casa com Constâncio, general do império romano. Em 419 os visigodos obtiveram do imperador Honório o direito de se fixarem no sudeste da Gália.
Os borgúndios instalaram-se na Gália, enquanto os vândalos avançaram até a Espanha. Tempos depois sob a chefia do rei Genserico, vindo da África, saqueiam Roma para então se apoderarem da Sicília, Sardenha, Córsega, Itália Meridional e Ilhas Baleares. Ocuparam ainda a Tunísia e parte da Argélia.
Em 450 os Hunos prosseguem em direção a oeste e o rei Átila e seu bando aterrorizam a Gália. Em 451 o general Aécio bate as tropas Hunas perto de Troies, mas Átila e seu bando devastam a Itália.
Em 476 o rei Odoacro dos Germanos, mercenário a serviço de Roma, ocupa a Itália e faz cair o Império do Ocidente depondo o imperador Rômulo Augusto. Assume então o título de rei da Itália e lá governa por 10 anos subordinando-se espontaneamente ao imperador de Constantinopla.
No final do século V os Bárbaros dominavam todos os quadrantes do império.
• Francos e Burgulhões na Gálias.
• Anglos e Saxões avançam até a Britânia.
• Visigodos entram na Hispania pelos Pirineus.
• Ostrogodos na Península Itálica.
• Vândalos são expulsos da Hispania pelos Visigodos e estabelecem-se ao Norte da África e Mauritânia.

É importante notar que as influências da secularização da Igreja começam a transparecer mais evidentemente durante as invasões. Constantino, no século anterior, havia organizado a igreja nos moldes da administração civil. Com o colapso da administração resultante das invasões durante o século V, as pessoas procuravam o bispo e a sua corte para obterem ajuda. Assim sendo, a Igreja mostra claramente que a sua influência mediante a sociedade não é mais apenas espiritual, agora ela também tem características político-administrativas, mesmo porque, com o impacto da desordem, era muito difícil tratar com um Imperador distante, em Constantinopla, já que o imperador do Ocidente não se importava com os problemas locais e até apoiava a Igreja enviando-lhes recursos financeiros para restauração e manutenção em serviços públicos. Mais tarde, no final do século V, com o papa Gelásio, a Igreja tenta se desvincular desta situação, mas já era tarde demais.
Antes de a Igreja tentar deixar seu papel político, a população não se importava mais com quem governava e muitos chefes tribais até mesmo assumiram o controle de territórios que foram abandonados pelo governo Romano. Isso resultou que, em 476 o chefe godo Odoacro depôs o ultimo imperador do ocidente acabando definitivamente com o Império Romano Ocidental. No meio disto tudo a Igreja permanece firme, e agora sua missão de catequizar as tribos invasoras. Mas isso não quer dizer que ela deixou de exercer seu papel político. Os reis bárbaros apreciaram ter a igreja como aliada e até lhe cediam terras em toda a Europa Ocidental. Os líderes cristãos tornaram-se pessoas importantes e em alguns casos tanto quanto o rei local.
Pode-se dizer, que as invasões bárbaras mudaram intensamente a vida ocidental. O desenvolvimento da Europa começou a acontecer logo após as invasões, até mesmo a divisão política atual é resultante dessas invasões.
Quanto a Igreja, até que ela venceu o desafio que lhe foi imposto pelo Estado Romano: no caráter administrativo conseguiu um certo êxito; deu também a sua contribuição ao converter os invasores teutões do Império e manteve assim muitos elementos da cultura Romana. Neste processo, porém, ela teve que pagar um preço muito caro, ou seja, as massas de pagãos convertidos à religião cristã entraram para Igreja sem serem doutrinados, e assim trouxeram consigo para o cristianismo seus velhos padrões de vidas e costumes. Muitas práticas ritualistas retiradas do paganismo encontraram uma porta aberta na Igreja, tudo para que estes povos pagãos se tornassem “cristãos”. Em suma, podemos dizer que as invasões bárbaras e a sua presença no contexto Romano levaram a Igreja Cristã a querer resolver todos os problemas resultantes disto, mas no resultado final acabou parcialmente paganizada.

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Uma resposta em “Invasões Bárbaras – II

  1. É interessante constatar que a igreja abriu”exceções”para que as levas pagãs se cristianizassem.
    Trazendo para os dias de hoje,quais são as atitudes condescendentes para com aqueles que desejam permanecer na igreja,mas não tem um real compromisso com Cristo?Quais são os momentos em que um pastor muitas vezes deixa de exortar,porque isto envolverá pessoas importantes da igreja(famílias)?
    Consequentemente vai-se abandonando a essência do cristianismo.
    Devemos sempre olhar para o passado,para buscarmos a essência,aquilo que é a base do cristianismo e não nos deixarmos corromper pela sociedade em que vivemos.

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