Invasões Bárbaras – I

Desde seu início, o Império Romano foi constantemente obrigado a proteger suas fronteiras contra as incursões dos chamados bárbaros. Para isso, construiu fortificações acompanhando o Reno e o Danúbio, e na Grã-Bretanha uma muralha que separava os territórios romanizados dos que permaneciam em mãos de bárbaros. Para facilitar a defesa, repartiram as terras entre os soldados, que viviam nelas como colonos, em condições de correr ao campo de batalha se fosse necessário.
Deste modo o Império romano conseguiu defender suas fronteiras até meados do século IV. Porém, a partir de então a defesa ficou cada vez mais difícil, até que por fim toda a parte ocidental do Império sucumbiu diante dos invasores. Com as invasões germânicas, o Império Romano do ocidente desmembrou-se em numerosos ramos.
As causas da queda do Império Romano são muito mais complexas do que aquelas que pagãos e cristãos da época costumavam afirmar. Os primeiros diziam que a culpa por todo o desastre que ocorrera era dos cristãos que insistiam em abandonar os velhos deuses romanos fazendo com que estes os deixassem de proteger. Já os cristãos afirmavam que os culpados eram os romanos pagãos por perseguirem os cristãos.
Hoje sabemos que o Império tinha de sucumbir porque era impossível manter o equilíbrio que existia entre a vida dos seus súditos e dos bárbaros. De um lado do Reno e do Danúbio era muito mais fácil viver do que do outro. Em conseqüência, os bárbaros se sentiam atraídos pelas riquezas do Império.
Por essas razões, quando os bárbaros começavam a atravessar as fronteiras, e por alguma razão o Império não estava pronto para a defesa, recorria-se repetidamente ao recurso dos ricos: comprar a boa vontade da oposição. Dava-se terra aos bárbaros, dando-lhes permissão para viver dentro das fronteiras do Império, com o nome de “federados”, para que em troca o defendessem contra qualquer incursão de algum outro grupo. O resultado foi que me pouco tempo a maior parte do exército se constituía de soldados bárbaros, freqüentemente debaixo do comando de oficiais da mesma origem. Estas tropas se consideravam romanas, e algumas vezes defenderam valentemente o Império. Mas outras simplesmente se rebelaram contra a autoridade imperial e seguiram seus próprios interesses. Boa parte dos soldados que causaram grandes prejuízos nas margens do Mediterrâneo na verdade eram soldados do Império.
Sabemos, também, que em regiões muito distantes das fronteiras do Império estavam acontecendo fatos que contribuíram para precipitar a invasão dos bárbaros. Durante séculos os hunos tinham vivido nas estepes asiáticas. Os hunos são provavelmente os mesmos que aparecem nos anais chineses com o nome de yung-nu, e contra os quais foi construída a partir do século III a.C. a Grande Muralha da China. Vendo que a resistência chinesa era invencível, os hunos começaram a se expandir para o ocidente. Além disso, é provável que eles tenham sido empurrados pelos mongóis e pela mudança de clima, que os obrigaram a procurar novas terras. No princípio da era cristã os hunos atravessaram os Urais, penetrando na Europa, e começaram a fazer pressão sobre os povos germânicos que viviam na Europa Oriental. Por volta do ano 370, os hunos caíram sobre os ostrogodos, que dominavam a costa norte do mar negro, e destruíram seu império. Um forte contingente ostrogodo dirigiu-se para os montes Cárpatos, de onde começou a pressionar os visigodos.
O resultado foi que uma multidão de visigodos se apresentou na fronteira do Danúbio, pedindo permissão para se instalar em território romano. Depois de uma série de negociações os visigodos foram admitidos na qualidade de federados. Porém, pouco tempo depois se rebelaram e levantaram arma contra o Império.

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