O Papado – Início e Desenvolvimento

O Papado é considerado a base do Romanismo, ou seja, o alicerce, o fundamento do Catolicismo Romano. O papismo crê que o início do Papado está em Mateus 16:18, onde Jesus Cristo afirma que “Pedro é a pedra” e que edificaria sua igreja sobre Pedro e concede a ele toda a autoridade da igreja. Assim, ficou decretado que o Papa é o sucessor de Pedro, ou seja, que a ele foi entregue toda a autoridade na terra.

Existem algumas dificuldades com relação à doutrina do papado, quais sejam:

• Pedro foi morto na perseguição de Nero e não existe documentação da transmissão de autoridade apostólica àqueles que seriam seus sucessores.

• As listas dos primeiros bispos não coincidem.

• Período obscuro entre perseguição Nero (64) até a 1º Epístola de Clemente (96). Sabe-se pouco ou nada a respeito deste período.

• Nos primeiros séculos de história da Igreja o centro numérico está no oriente, logo, os bispos de Antioquia e Alexandria eram mais importantes do que o de Roma.

• A direção teológica está na África Latina com Tertuliano, Cipriano e Agostinho.

Como então o papado chegou ande está hoje?

Quando o Império aceita a fé cristã, Igreja e bispo ganham posição de destaque, uma vez que Roma era a capital do Império. A jurisdição política passa a equivaler à jurisdição eclesiástica. Havia por este tempo cindo patriarcados: Jerusalém que tinha caráter simbólico, Antioquia, Alexandria, Constantinopla que não existia nos tempos apostólicos e Roma.

No oriente com a Continuidade do Império, os Patriarcados são subordinados a ele. Já no ocidente em virtude principalmente das invasões bárbaras, o império desaparece. Com este quadro a Igreja se torna a guardiã da velha civilização e o patriarca de Roma (Papa) passa a gozar de grande prestígio autoridade. O papa vem preencher o vazio no caos.

O INÍCIO
O primeiro papa: Leão I, o Grande

O termo papa significa papai. Esse nome primitivo era dado a todos os bispos, mas foi pouco a pouco sendo reservado ao bispo de Roma.

O conhecimento histórico dos primeiros séculos do papado é escasso, pois até o século IV não aparece nenhuma personalidade marcante entre eles. Somente com Leão I, o Grande (440-461), é que de fato a autoridade papal começa a existir, em face de sua intervenção no concílio de Calcedônia e na condenação do Monofisismo, além de proteger a Itália contra Atila e os hunos durante uma tentativa de invasão por parte dos bárbaros, o que foi o primeiro ato político do papado. Átila era o rei dos hunos, chamado o “flagelo de Deus”, e aproveitando a debilidade do Império Romano resolve conquistá-lo. Leão decide ir até o seu acampamento e conta a “lenda” que ao encontrar-se com Atila, este teria visto Pedro e Paulo ao lado de Leão, empunhando espadas. Por este motivo ele teria mudado de intenção e seguido para norte.

É interessante notar que com Leão I surgem os principais argumentos que perduram até hoje em favor da autoridade papal:

1 – Pedro é o “portador das chaves do Reino” – Mt. 16:19 e Deus na sua providência o levou à capital do império para ali morrer.

2 – Pedro é a “pedra sobre a qual a igreja seria edificada” – Mt. 16:18 e qualquer outro fundamento é areia.

3 – Pedro é o “pastor do rebanho de Cristo”, pois diversas vezes Jesus lhe disse: “apascenta as minhas ovelhas”.

4 – Tudo isso vale para ele e seus sucessores, os bispos de Roma.

Gregório I
Durante este período de invasões, os imperadores perdem a Itália para os longobardos. Neste momento de dificuldades surge o papa Gregório I Magno (590-604 D.C.), que se auto-intitulava “servo dos servos de Deus”, e foi fundador da Igreja na Inglaterra, e também o sistematizador do canto gregoriano.

Gregório adotou o modelo de papado de Pelágio II, seu antecessor, morto pela “peste”. Era um período de guerras intensas pelo controle de Roma. A situação era de caos onde predominavam a fome, peste, etc. Gregório, que antes de ser papa havia sido prefeito, diácono e embaixador na corte de Constantinopla, convocou o povo para uma procissão de penitência e trabalhou fortemente na reconstrução de Roma. Além disto, também é o fundador do poder temporal do papado.

Com Gregório, o poder da igreja foi estendido a diversos territórios que se tornaram “Patrimônio de São Pedro”: igrejas, palácio, terras, riquezas. Tudo isso representava poder.

No seu papado algumas mudanças aconteceram na vida da igreja, dentro e fora de Roma, como a valorização da pregação, a proibição de luxos entre clérigos, além do controle sobre pagamentos excessivos. Juntamente com o monasticismo, Gregório ampliou a influência do papado à Espanha, África, Egito, Inglaterra e entre os Francos.

Quanto a sua produção teológica, dizia que somente os hereges são autores ou pensadores originais. Considerava-se um discípulo de Agostinho, onde o que em Agostinho seria uma suposição, para Gregório era uma certeza. Os maiores exemplos disto são as doutrinas do purgatório, da penitência e da missa como sacrifício vivo que é capaz de ajudar os mortos através das missas em seus nomes.

De uma forma geral ele não só aceitou como incorporou todas as crenças populares do século VI à doutrina cristã. Sua obra literária passou a ter a mesma autoridade infalível das obras de Agostinho.

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