A Expansão do Cristianismo – do particularismo judaico ao universalismo cristão

O Império Romano foi o cenário da primeira pregação do evangelho. Como unificara política e economicamente a bacia do Mediterrâneo, a circulação dos homens, das mercadorias e das doutrinas não encontrava obstáculo. O cristianismo ultrapassou rapidamente os limites da terra de Israel e atingiu o conjunto da bacia mediterrânea.

A Comunidade Primitiva
Nos primeiros tempos da evangelização, a mensagem cristã difundiu-se entre os judeus da Palestina, de cultura hebraica, e os da diáspora, de cultura helenística. ( Atos 5:42-46 )
A vida da comunidade cristã de Jerusalém, além da continuidade da prática religiosa judaica e das reuniões em comum, com a fração do pão, caracterizava-se pela partilha dos bens, embora sua doação não fosse obrigatória.
Uma perseguição violenta atingiu o grupo dos helenistas de Jerusalém: alguns se dispersaram pela Judéia e Samaria, enquanto outros chegaram à Fenícia, a Chipre e Antioquia, pregando aos judeus e também aos pagãos (Atos 11,20); Paulo tornou-se perseguidor deles. O grupo dos doze se dispersou quando Herodes Agripa fez perecer a Tiago, em 42. Em 66 as perturbações políticas degeneraram em revolta. Parece que antes disso a pequena comunidade cristã refugiara-se em Pela, na Decápole. A importância da diáspora judaica para a fé cristã reside no fato de que a sinagoga foi o ponto de partida da primeira evangelização. O cristianismo encontrou um terreno propicio nas comunidades de simpatizantes da lei mosaica, das quais surgiram as primeiras igrejas paulinas.
Na sinagoga, após a leitura da Escritura, os irmãos de passagem eram convidados a dirigir a palavra aos demais. Paulo aproveitava tais momentos para anunciar a chegada do Messias; sua pregação, que atingia mais os tementes a Deus, provocou a hostilidade dos judeus; tais acontecimentos convenceram-no de que devia ir aos pagãos.
O judaísmo e o zelo missionário de Paulo abriram o caminho para o cristianismo, de modo que durante muitos anos as autoridades romanas não fizeram distinção entre um e outro. Para os pagãos a terra de Israel não era uma região muito importante, e muitas vezes consideraram-na como simples prolongamento da Síria-Fenícia. Apresentar sua história obrigava a interrogar-se sobre a origem de uma religião muito diferente dos numerosos cultos do mundo romano.

Características e Fatores da Expansão do Cristianismo
As comunidades cristãs primitivas eram compostas de crentes provindos de todos os extratos sociais, desde os pescadores que conviveram com Jesus até as pessoas pertencentes aos círculos senatoriais. A maior parte dos cristãos pertencia às classes inferiores; no entanto, as circunstâncias de cada comunidade e a rápida abertura ao mundo da cultura letrada impedem falar do cristianismo primitivo como um movimento social revolucionário, e menos ainda como uma religião de escravos.
Nas primeiras décadas após seu surgimento e até fins do século I, o cristianismo expandiu-se pela Palestina, Síria, Ásia Menor, Chipre, Grécia, Roma, e possivelmente também pelo Egito e pela Ilíria, Dalmácia, Gália e Espanha. Os responsáveis principais por essa expansão foram os missionários itinerantes.
Até fins do século II: Mesopotâmia, Egito, Itália meridional, Gália, Espanha, Germânia e norte da África.
Até o século IV: Armênia, Pérsia, norte da Índia, Etiópia, baixa Áustria e Itália setentrional.
Somente em fins do primeiro milênio é que se pode dizer que toda a Europa estava cristianizada.
Do ano 30, que constitui a data mais provável da paixão de Jesus, ao 313, com o edito de Milão, que assinala o fim das perseguições aos cristãos e o início da aliança entre Igreja e Império, o cristianismo difundiu-se através de uma ação capilar e pessoal, graças às iniciativas da organização eclesial e aos contatos espontâneos e influxos dos convertidos; estabeleceu-se principalmente nas grandes cidades, contando com a adesão de pessoas de condição humilde (artesãos, comerciantes e escravos) e elevada (nobres e membros da família imperial).
De perseguida, a Igreja passou a ser tolerada, preferida, e, em fins do século IV, Igreja única e perseguidora do paganismo. Dos séculos IV ao VII, apoiada pelo aparato estatal romano e pelas leis dos reinos germânicos, potenciou sua presença desde o centro, Roma, até a periferia: foram séculos de evangelização e expansionismo proselitista, marcados especialmente pelas conversões em massa.

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2 respostas em “A Expansão do Cristianismo – do particularismo judaico ao universalismo cristão

  1. A religião percebida como um instrumento político é bem diferente de quando é percebida como um instrumento de aperfeiçoamento moral. A tendência é que ela seja apreciada preferencialmente pela segunda possibilidade. No entanto, é sob o ponto de vista secular que faço essa reflexão a respeito da origem do cristianismo. Conheça um pouco mais a respeito dessa história fascinante. Visite a página do livro A Origem do Cristianismo em Reflexão, no Facebook:
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