2000 Anos de Paixão – 2

A IDENTIDADE HISTÓRICA DE JESUS
Jesus (Joshu’a, ou abreviado Jeshu) acha-se no ambiente histórico-cultural da Palestina judaica do século I.
Nazaré era uma pequena aldeia a 5 quilômetros de Séforis. Pesquisas arqueológicas recentes evidenciaram que a Baixa Galiléia era muito povoada e em grande parte urbanizada. É enganosa a imagem de Jesus proveniente de um ambiente camponês e de uma região pouco influenciada pelo helenismo.
O ano exato do nascimento de Jesus é desconhecido. Celso, em 180, lançou a notícia de que Jesus foi filho ilegítimo de uma meretriz rejeitada, chamada Maria, e um soldado romano de nome Pantera (nome usado entre os soldados romanos). Comentários desse tipo são uma espécie de gênero literário: pessoas detestadas são apresentadas como o resultado deplorável de atividades sexuais indecorosas.
Também o ano preciso da morte de Jesus não pode ser estabelecido. Os cálculos aproximativos vão de 27 a 34.
Jesus não freqüentou a escola superior de um rabino ou mestre: possuía a cultura básica normal dos jovens de um luga¬rejo da Galiléia, onde havia uma escola de leitura da Torah, ao lado da sinagoga.
A partir de algumas expressões — Talitá qum(i,) (Mt 5,41), Effatà (Mc 7,34), Eloi eloi lamá sabaqtâni (Mc 15,34)— e palavras — Abbá, Bar, Passha — atribuidas a Jesus, pode-se supor que ele falava aramaico
O “carpinteiro”(Mc 6,31) e “filho do carpinteiro”(Mt 13,55) deixam imprecisa a natureza da atividade desempenhada por Jesus e José. Em Nazaré, Jesus era conhecido por sua profissão de artesão da madeira; esta atividade garantiu a ele e à sua mãe a autonomia social e econômica; não pertencia à categoria dos mais pobres de seu meio.
Jesus foi um mestre itinerante seguido por um grupo de discípulos, originários. na maioria, da região do lago da Galiléia. O quadro geográfico de sua atividade tem dois pólos: Cafarnaum, na Galiléia, e Jerusalém, na Judéia
Jesus tinha consciência de uma missão única relacionada à salvação própria do Reino de Deus – ele é portador da salvação do Reino de Deus – e de que o Reino se realizava nele (Lc 10,23; 4,21; 11,20; Mt 11,5 ss). Ele vive uma missão que vai muito além da vocação de um profeta; fala com surpreendente autoridade e exige de seus discípulos um seguimento radical.
“Abba” e “Reino de Deus”, palavras pronunciadas por Jesus, são o resumo mais expressivo de sua vida e do sentido dela. Jesus insere sua mensagem na promessa dos profetas sobre o reinado escatológico de Deus e aceita a esperança da vinda do Reino de Deus. O que há de especial na mensagem de Jesus é que ele anuncia o reinado escatológico de Deus como próximo e iminente, como já ativo e observável (Jesus anuncia-o como misericórdia, como algo que tem seu hoje agora mesmo), como salvífico, e que chama os ouvintes a uma opção; tudo isto é ligado misteriosamente à sua pessoa e atividade.
Jesus não pregou uma piedade individual, mas uma mensagem que unificava como irmãos de uma família religiosa os que o ouviam e se plenificavam de sua verdade. Em suas palavras e atos existia uma tendência inegável á formação e ao crescimento de uma comunidade religiosa.
Jesus não foi um revolucionário político: ele não pregou a luta armada contra a dominação estrangeira, nem pertenceu ao grupo dos zelotas, tampouco pregou uma revolução sociopolítica em sentido moderno. Sua preocupação sempre foi profunda-mente religiosa, embora tivesse fortes implicações políticas e sociais.
A ressurreição de Jesus não pode ser objeto de investigação histórico-científica, pois não pode ser provada cientificamente nem desmentida pela história. É um fato real, mas não um acontecimento histórico, porque ninguém o presenciou nem poderia ter presenciado. Nos relatos sobre a ressurreição de Jesus, os evangelistas quiseram deixar claro que a história de Jesus não havia acabado e que ele realmente está mais presente do que nunca. Trata-se de um acontecimento real, mas meta-histórico, porque foi percebido em seus efeitos e, sem ser histórico, toca a história enquanto contribui para modificar os acontecimentos deste mundo. Não é um dogma a mais, mas é todo o cristianismo, visto que somente pela convicção dos discípulos houve Novo Testamento, Igreja e hoje há crentes.

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