2000 Anos de Paixão – 1

Origem do Cristianismo
Enquanto comunidade que reúne discípulos de Jesus, a igreja é uma realidade histórica e, portanto passível de ser estudada.
Na história do cristianismo há somente uma história. Uma história de paixão: a história da salvação, a salvação na história. O que começa com Cristo não é a salvação, mas a revelação do plano salvífico que engloba todos os tempos, todos os lugares e todas as pessoas.
Devemos, no entanto, ter consciência que a verdade histórica é sempre parcial: não podemos saber tudo a respeito do passado. Enquanto ciência humana, as conclusões históricas são logicamente prováveis.
Por isso, o estudo da história da igreja deve ser realizado de modo sereno, imparcial e documentado.
A História da Igreja na verdade é a história do povo de Deus em seus multiformes aspectos de registro e narração.

O Fato Histórico Jesus Cristo e a Origem do Cristianismo
Para caminhar pela história destes 2000 Anos de Paixão é necessário utilizar fontes ou documentos criticamente válidos para a reconstituição do ambiente de Jesus, ou seja, que nos podem pôr em contato com o acontecimento Jesus e sua ressonância no meio ambiente.

A fonte mais antiga para a pesquisa histórica sobre Jesus é o apóstolo Paulo. Suas cartas foram escritas nos anos 50. O texto de Rm 1:3-4, de fins dos anos 50, pode ser considerado como o documento mais remoto sobre as origens históricas de Jesus.
Mas a fonte do conhecimento de Jesus, de sua obra e mensagem, continua sendo os evangelhos, embora não sejam relatos históricos. Não são História, mas não podem prescindir dela.

Os Evangelhos são interpretações teológicas a respeito de Jesus Cristo, elaboradas no seio das comunidades cristãs do século I, com o objetivo de atender às necessidades e responder aos questionamentos dessas comunidades. Trata-se de interpretações, enraizadas na história: são pós-pascais, mas relacionadas com palavras, atitudes e acontecimentos vividos por Jesus de Nazaré. À luz da experiência pascal. As comunidades cristãs do século I utilizaram categorias do judaísmo e do helenismo para expressar e comunicar a singularidade do messianismo de Jesus. Na prática, realizaram uma profunda releitura das expectativas messiânicas das Escrituras judaicas.

O Contexto Judaico do Século I
A tradição evangélica situa a atividade pública de Jesus dentro do quadro geográfico da Galiléia. Esta era uma região fértil, densamente povoada e marcada por movimentos insurrecionais; sua relativa autonomia sob os governos de Herodes Magno e Herodes Antipas, enquanto a Judéia e a Samaria passavam para o governo direto de Roma, manteve viva a aspiração à independência.

Outra região onde Jesus exerceu certa atividade, por ocasião das festas de peregrinação, é a Judéia. Esta era montanhosa e semi-árida, e aí se encontrava a capital religiosa de todo o mundo judeu, Jerusalém.

Sob o governo indeciso do tetrarca herodiano Antipas e a administração provocadora de Pilatos, já se faziam sentir os primórdios dos movimentos judaicos de insurreição anti-romana, que eram estimulados pelas precárias condições econômico-sociais da população judia e por suas expectativas e aspirações religiosas e nacionalistas.

Fora das cidades mais ou menos helenizadas, a economia palestinense tinha uma base agrícola artesanal e satisfazia às necessidades de seu mercado interno (trigo, óleo, frutas, horta¬liças, pesca e criação de gado). Sobre a atividade do agricultor e do comerciante pesava o sistema tributário das administrações romana, local e religiosa.

A maioria rica vivia nas cidades helênicas; havia uma categoria intermediária, constituída pelos trabalhadores autônomos; a categoria dos pobres era formada de operários temporários e diaristas, mendigos e inválidos; ao “povo da terra” (“pecadores e publicanos”) pertenciam os não-observantes, privados dos direitos religiosos e civis; as mulheres eram equiparadas aos menores e aos escravos.

Sua diversificação nos anos 30 refletia as contradições e os contrastes de um país ocupado por uma potência estrangeira, ou administrado pelos descendentes de um rei oriental alheio ás tradições culturais e religiosas do povo judeu; a nação judaica e seu povo encontravam sua força de coesão em torno de dois pólos ou instituições: a lei e o templo; o modo diferente de se relacionarem com tais entidades estava na origem de suas divergências.

a) Sumo Sacerdote: era a autoridade suprema da nação judaica, e o sinédrio, composto de 71 membros, era o conselho supremo.

b) Saduceus: membros da aristocracia sacerdotal e leiga de Jerusalém; seu fator religioso distintivo era a adesão à lei escrita da Bíblia (interpretação literal da lei) e a rejeição de todo messianismo; no plano político, permaneciam abertos à colaboração com o poder político, para conservar o controle da instituição do templo e de seus recur¬sos financeiros; os sacerdotes das aldeias opunham-se à linha religiosa e política dos saduceus, pois eram obrigados a exercer um trabalho ou profissão.

c) Essênios: sacerdotes e leigos dissidentes, em contraste com a linha religiosa e política do sumo sacerdote e do alto clero de Jerusalém, que viviam numa espécie de organização co¬munitária às margens do mar Morto, empenhados na observância da lei e à espera da libertação final dos “filhos da luz”; os “sacerdotes que obedeciam à fé” (Atos 6,7) provinham, talvez, desse meio, e tiveram um papel importante na organização litúrgica da comunidade de Jerusalém.

d) Fariseus: seu traço distintivo era a interpretação e observância da lei, baseadas numa tradição oral que tendia a aplicar a Torah escrita às novas situações; organizados em forma de confrarias, reuniam-se para refeições em comum de “puros” e para meditar a lei; os mestres ou escribas promoviam a interpretação e atualização da Escritura, segundo a orientação das escolas de Hillel e Shamai e controlavam de fato a formação e a vida religiosa do povo por meio da rede capilar das sinagogas e escolas anexas.

e) Zelotas-bandidos-sicários: grupos mais politizados que, inspirando-se no zelo dos fariseus em prol da lei mosaica, se empenhavam numa ação militante pela independência nacional com uma ideologia de cunho teocrático e nacionalista; parecem ser a ala extrema dos fariseus, reivindicando o respeito à lei por todos os meios e opondo-se a toda forma de autoridade não procedente diretamente da lei.

f) Samaritanos: reivindicavam o direito de possuir um templo sobre o monte Gerizim, e só aceitavam o Pentateuco e a autoridade de Moisés.

Os prosélitos eram os não-judeus, ou gentios, que passavam ao judaísmo mediante circuncisão, batismo de imersão e sacrifícios. Já os tementes a Deus eram atraídos pelo monoteísmo e pelo culto da sinagoga, mas não aceitavam a circuncisão.

É neste contexto que surge Jesus de Nazaré ou o filho do Carpinteiro como preferiam alguns

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