Fortalecimento e Apogeu do Poder Papal

Com o reavivamento da igreja no ocidente, esta passou por uma renovação que a ajudou em sua luta contra o Estado, representado pelo Santo Império Romano. Vários fatores contribuíram para um fortalecimento do poder eclesiástico do papa.

A doação de Constantino tornou-se a base legal para a propriedade de terras pelo papa (este documento foi usado pelo papa na Idade Média como suporte às suas reivindicações de posses temporais e poder nos reinos temporal e espiritual). O documento narrava que Constantino havia sido curado e batizado por Silvestre, e em troca disso havia dado a Igreja de Roma a proeminência sobre todas as outras terras.

As decretais também eram um instrumento muito utilizado. As decretais estabeleciam a supremacia do papa sobre todos os lideres eclesiásticos da Igreja e concediam a qualquer bispo o direito de apelar diretamente para o Papa.

As reformas monásticas também foram de grande contribuição para fortalecimento do papado.

Embora no período de 800 a 1054 muitos papas marcarem o seu pontificado pela corrupção, outros foram capazes de ajudar a consolidar a obra do fortalecimento do papado.

Nicolau I, papa de 858 a 867, foi o primeiro a usar os decretos de vários pontífices de Roma e o mais capaz desses. Sustentou por escrito e na prática a supremacia do papa na igreja, como alguém que era responsável pelo bem-estar do fiel sobre os governantes temporais em matéria de moral ou religião.

O APOGEU
Inocêncio III (1198-1216)

Com passar do tempo o conflito entre Igreja e Império se intensifica. Depois de uma série de sucessões e conflitos, o papa Celestino III coroa como imperador Henrique VI (filho de Frederico Barba Roxa), um homem cruel e ambicioso que sonhava em restaurar o antigo Império Romano e destruir o que ele chamava de “papado gregoriano”.

Por esta razão tempos depois Celestino III excomunga Henrique e o conflito se torna declarado. Este só não teve desdobramentos maiores porque o imperador Henrique morre antes de responder a esta atitude papal. Como herdeiro fica seu filho de colo Frederico. O papa Celestino morre três meses depois.

Com a desorganização do Império por causa da morte inesperada do Imperador, os cardeais elegem um novo papa sem a interferência do império. O escolhido é Inocêncio III, que na época tinha 37 anos e é considerado o papa mais poderoso de toda história.

A partir daí inicia-se o conflito pela sucessão do trono de Henrique VI. A viúva do imperador coloca seu filho e seu reino sob a proteção do papa, com medo que o trono seja usurpado, uma vez que na questão da sucessão imperial, a coroa não era hereditária.

Por considerarem Frederico muito jovem, inicia-se um conflito pela sucessão do trono entre os partidários de Felipe, irmão de Henrique e os de Oto. O papa Inocêncio se coloca ao lado de Oto, baseado na excomunhão de Henrique, dizendo que de acordo com a bíblia, Deus visita o pecado dos pais nos filhos. Além disso, queria aproveitar a oportunidade para obter a autoridade para determinar quem seria o imperador. Por isso declara Oto o pretendente legítimo ao trono. A situação se transforma numa guerra civil de 10 anos, que culmina com o assassinato de Felipe.

Pouco depois de coroado, Oto se volta contra o papa, que por sua vez o excomunga, o depõe e declara que o legitimo Imperador era o jovem Frederico. Com apoio do papa este retoma a coroa. O resultado de tudo isso é a vitória do poder papal, pois com sua atitude apesar de reconhecer Frederico como rei legitimo, este por depender do papa para retomar o poder reconhecia em sua atitude que o papa tinha poder para depor o imperador.

Rapidamente o poder de Inocêncio se espalhou por ter papel decisivo em questões de política internacional na França, Espanha, Inglaterra, Portugal, Boêmia, Hungria, Dinamarca, Islândia, entre outros países.

Sobre o seu pontificado foram fundadas as ordens dos franciscanos e dominicanos, mas o ponto alto foi o IV Concílio de Latrão, que se reuniu em 1215 e em três sessões de um dia cada tomou decisões que indicam, pela rapidez com que foram tomadas, que o Concílio apenas referendava as decisões do papa.

Entre estas decisões destacam-se: A definição da doutrina da transubstanciação, o estabelecimento da Inquisição, a proibição da introdução de novas relíquias sem a aprovação papal e a determinação que judeus e muçulmanos deveriam usar roupas especiais para se distinguirem dos cristãos.

É de Inocêncio a seguinte frase: “O papa está entre Deus e o ser humano; debaixo do primeiro e acima do segundo. É menos que Deus, e mais que o homem. Ele julga a todos, mas ninguém o julga.”

Os sucessores de Inocêncio

Durante quase um século, os sucessores de Inocêncio gozaram do prestígio que o grande papa tinha conquistado. Entre estes, o que mais se destaca é Bonifácio VIII (1294-1303). Na sua bula papal Unam Sanctan o ideal do papado onipotente chegou a sua expressão máxima.

“Uma espada deve estar sob a outra, e a autoridade temporal deve estar sujeita à potestade espiritual… Por isto, se a potestade terrena se aparta do caminho reto, será julgada pela espiritual… Mas se ela se aparta da suprema autoridade espiritual, então somente pode ser julgada por Deus e não pelos humanos… Por outro lado, declaramos, dizemos e definimos que é absolutamente necessário para a salvação de todas as criaturas humanas que estejam sob o pontífice romano.”

Apesar destas palavras, é a partir de Bonifácio que fica claro o início da decadência do papado.

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